18 May, 2007

IX Edição do Festival da Canção Infantil Baleia de Marfim


Melanie Almeida, cidadã da nossa freguesia de São Mateus, irá participar, no próximo Sábado, 19 de Maio, pelas 20 horas e 30 minutos, no Salão Social, Cultural e Recreativo da Ribeira do Meio, na IX Edição do Festival da Canção Infantil Baleia de Marfim, com a Canção “O Sonho da Lagarta”. O São Mateus 2005 deseja boa sorte à nossa pequena grande intérprete.

Canção: O Sonho da Lagarta

Intérprete: Melanie Almeida, 9 anos
Letra e Música: Cinira Baptista de Azevedo
Orquestração: Bárbara Azevedo

17 May, 2007

O Pico da Criação Velha

Foto: Montanha do Pico

Nomeações - Thinking Blogger Award


Saber que o nosso modesto trabalho é reconhecido, e que faz alguém pensar é, sem dúvida, uma tremenda honra.
Agradeço, uma vez mais, a amabilidade do “Castelete Sempre” pela nomeação.
Agora compete-me nomear cinco blogues que me fazem meditar sobre variadíssimos assuntos, mas sobretudo sobre a excepcional ilha onde vivemos.
Por vezes olhamos demasiado para a vida alheia que nos esquecemos de levantar a cabeça e olhar em redor, e ver o quanto afortunados somos por vivermos na mais bela ilha do Arquipélago dos Açores, ladeada de mar por todos os lados, cuja montanha é a mais alta do nosso país.
Em verdade vos digo que tenho um orgulho desmedido por ser Picoense, por ter nascido nas Lajes do Pico, por ter vivido durante quatro anos na freguesia da Piedade, por ter residido durante seis anos na freguesia da Candelária e por habitar, actualmente, e até que a morte nos separe, se é que alguma vez nos separará, na povoação de São Mateus.

Tenho dito!

E os nomeados são:

http://www.portonovo.blogs.sapo.pt/
(Puro, Realista, Autêntico, Sublime, …)

http://www.perdidosnopico.blogspot.com/
(Aventureiro, Explorador, Deslumbrante, Magnífico, …)

http://www.magdala.blogs.sapo.pt/
(Religioso, Prudente, Coerente, Erudito, …)

http://www.casteletesempre.blogspot.com/
(Actual, Sensato, Harmonioso, Sumptuoso, …)

http://www.cristao-do-asfalto.blogspot.com/
(Espirituoso, Natural, Diferente, Verdadeiro, …)

NOTA: Os autores dos blogs que nomeei devem copiar o selo e afixá-lo na lateral dos seus blogs. E, por fim, nomear mais cinco.

Tarde no mar

Foto: Ilhéus no meio do Pico e do Faial



A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.

O horizonte: um cacto purpurino.

E a vaga esbelta que palpita e ondeia,

Com uma frágil graça de menino,


Pousa o manto de arminho na areia

E lá vai, e lá segue o seu destino!

E o sol, nas casas brancas que inceideia,

Desenha mãos sangrentas de assassino!



Que linda tarde aberta sobre o mar!

Vai deitando do céu molhos de rosas

Que Apolo se entretém a desfolhar...


E, sobre mim, em gestos palpitantes,

As tuas mãos morenas, milagrosas,

São as asas do sol, agonizantes...

(Florbela Espanca)

16 May, 2007

Há pessoas que ficam para sempre!

"Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."
(João 3:16)

14 May, 2007

Até um dia Marisa.


Thinking Blogger Award


O “Castelete Sempre” nomeou o “São Mateus 2005” como um “Thinking Blogger”, descrevendo-o como sendo feito por quem ama a sua terra e a defende com convicção, o que agradeço, comovida.
Em verdade vos digo que para mim esta nomeação é, sem dúvida, motivo de orgulho. São inúmeras as horas que dedico a este meu espaço, e faço-o por amor à minha ilha, ao meu concelho e, sobretudo, à minha freguesia. Enquanto me for dada a fantástica opção de viver, São Mateus estará sempre presente no meu coração e nos meus pensamentos.
Considero este meu espaço como um Website (página de Internet) que engrandece e promove turisticamente a nossa ilha. E não como um antro de mexericos e discórdias (palavras utilizadas por algumas pessoas quando se referem ao meu Blog, todavia, sempre ouvi dizer que vozes de burro não chegam ao céu, e quem desdenha quer comprar). É vero que há uns tempos deixei passar, inocentemente, alguns comentários maldosos escritos, na maioria, por crianças em horas que deveriam estar a pernoitar, e por minha culpa, por minha tão grande culpa, confesso o meu pecado, porém, abri os olhos a tempo, e após um pedido pessoal de desculpas às pessoas visadas, prometi a mim mesma que jamais colocaria qualquer comentário que injuriasse ou difamasse o bom nome de quem quer que seja, embora todos os dias os receba em quantidade e com péssima qualidade.
Caríssimos amigos, fico imensamente feliz quando algum indivíduo se diz apreciador de tudo o que aqui tento fazer, e imensamente triste quando alguém menospreza numerosas e dilatadas horas de trabalho e dedicação.

E que assim seja!

São Mateus - Lar doce, doce Lar.




"O lar é o único lugar onde podemos dizer tudo o que nos vem à cabeça - ninguém nos presta atenção."

Autor: Fernandes , Millôr

10 May, 2007

Cavaleiro Monge

Foto: Montanha do Pico

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

Fernando Pessoa, In Cancioneiro

09 May, 2007

Quem disse que a vida era fácil faltou à verdade!

Sentada numa tábua que alguma embarcação deixou à deriva, coloco as minhas mãos debaixo do queixo, e concentrada observo ao redor. Enfrente, contemplo o interminável mar azul, bonançoso e cristalino. E as suas ondas, num vai e vem constante, banham delicadamente os meus pés.
Avisto, ao longe, a nossa ilustre e majestosa montanha que as nuvens encobrem, de vez em quando, tornando-a mais harmoniosa. As gaivotas também comparecem, com os seus voos rasantes, ornamentando, ainda mais, este panorama paisagístico.
Aos poucos os meus pensamentos começam a amontoar dentro da minha cabeça, como se dentro dela, num segundo, uma desmesurada tempestade se tivesse formado. Uma tempestade de ideias, de reflexões, de opiniões, de circunstâncias e, sobretudo, de verdades.
Hoje penso nas facilidades que algumas criaturas têm ao longo da sua vida.
Em verdade vos digo que, para todos nós, seria muito mais fácil ficarmos sentados à espera que as coisas acontecessem, e que tudo o que mais ambicionamos caísse do céu. Seria muito mais fácil culpar Deus, ou outro sujeito qualquer, exclusivamente porque a nossa vida não é como, outrora, idealizámos. Seria muito mais fácil se tivéssemos um amor-perfeito, uma amiga sempre presente, uma família indulgente.
Todavia, quem disse que a vida era fácil faltou à verdade, pois é difícil é levantarmo-nos da cadeira, ou da cama, e correr atrás daquilo que é importante para nós. É difícil aceitar que todas as pessoas têm defeitos, que o amor é construído aos poucos. É difícil compreender que para amar alguém como pessoa, temos obrigatoriamente que começar por lhe conceder emancipação e identidade próprias como pessoa. Temos que amá-lo e respeitá-lo por tudo aquilo que ele é em si mesmo, e não por aquilo que ele é, ou representa, para nós. Temos que amá-lo para o seu próprio bem, e não pelo bem que dele extraímos. Contudo, isso é irrealizável se não formos capazes de um amor que nos "transforma", por assim dizer, no outro, tornando-nos capazes de ver as coisas como ele as vê, de amar o que ele ama, de apreciar as mais profundas certezas da sua vida como se fossem nossas. Todavia, sem sacrifício, tal transformação não é de todo possível. Entretanto, se não formos capazes desse género de transmutação "no outro" enquanto continuamos a ser nós mesmos, lamentavelmente, não estamos ainda habilitados para uma vida inteiramente condescendente. É difícil descobrir que os melhores amigos não nascem da noite para o dia. É difícil assimilar que a família é o bem mais valioso que se tem na vida.
Hoje eu descobri que devemos gostar, e quiçá amar, cada pessoa de uma forma distinta, que novas pessoas aparecem, que por novas pessoas nos apaixonamos, que com novas pessoas rimos e brincamos, que por novas pessoas sofremos e choramos.
Hoje eu sei que antes de gostar ou amar outra pessoa, tenho que primeiramente que gostar de mim.
Caríssimos irmãos, às vezes tenho todos os motivos, e mais alguns, do mundo para estar triste, mas sinto-me alegre. Sou solitária, mas sinto-me sempre acompanhada. Sou, inúmeras vezes, condenada, mas sinto-me absolvida. Tenho, muitas vezes, a alma banhada com lágrimas de dor, mas na face um sorriso. Quando tudo dá errado, creio que Deus nunca fechou uma porta que não abrisse, em seguida, uma janela. Quando deparo com a mentira, acredito que a verdade erguer-se-á. Tenho fé em algo que não vejo, mas sei que existe. Prefiro perder o que os outros se empenham tanto para ganhar. Faço questão de ser a menor, enquanto todos querem ser os maiores. Sou a última, e sinto-me a primeira. Tenho coragem para lutar, quando o que existe ao meu redor me dá medo. Vejo o sol, quando o céu está repleto de nuvens. Tenho esperança na vida, mesmo após a morte.
E nesta calma o silêncio toma conta do lugar no qual me encontro a meditar. E chego à conclusão que a humildade que acomete o meu ser é ignorada por quase todos, pois vivo num local de fanfarrões, que tripudiam sobre o que já usufruíram e só valorizam o próximo, quando têm um interesse próprio. Porém, tenho a convicção que um dia esses seres vão compreender que esta vida é dois dias, e que todos nós somos imortalizados pelo bem que fazemos, e nunca pelo mal.

E que assim seja!

Pico - The highest mountain of Portugal


30 April, 2007

Boavista Campeão


Formação de São Mateus vence campeonato Faial/Pico e garante um lugar na Série Açores.

O Boavista de São Mateus sagrou-se esta tarde campeão da Associação de Futebol da Horta, ao bater o Prainha por 3-0 e beneficiando do empate dos Flamengos na Piedade. A uma jornada do final da prova, a formação axadrezada conquistou o primeiro título do seu historial, garantindo igualmente um lugar no campeonato da 3ª.divisão, da próxima temporada. O conjunto de São Mateus demonstrou durante todo o campeonato ser o conjunto mais regular e consistente, e só facto de ter baqueado em ambos os confrontos com o seu opositor directo, os Flamengos, fez com que o Boavista tenha adiado para a penúltima jornada a conquista do campeonato.

Na partida realizada neste domingo no Municipal de São Roque, os homens de Fernando Teixeira controlaram o jogo quase na sua totalidade e só a espaços, sobretudo no primeiro tempo, a formação do Prainha conseguiu dar alguma réplica. Nesta conjectura, acabou por ser lógica a forma como o Boavista chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com um golo apontado por António Carlos, a referência do ataque alvinegro.

No reatamento o Boavista voltou a marcar cedo, desta feita através de Marinho, com um golo que trouxe maior tranquilidade à equipa de São Mateus. O Boavista limitou-se a marcar os ritmos do encontro até ao seu final, conseguindo ainda ampliar por mais uma vez a marcha do marcador.

Esta vitória, marca igualmente a época de regresso de Manuel Furtado à presidência dum clube, que comemora este ano as bodas de prata.


13ª. Jornada

Prainha – Boavista 0-3

Piedade – Flamengos 1-1

Feteira – Atlético 0-1

Folgou: Lajense


Classificação:

1º Boavista 11J 27P

2º Flamengos 11J 23P

3º Prainha 11J 17P

4º Atlético 12J 17P

5º Feteira 11J 13P

6º Lajense 11J 8P

7º Piedade 11J 7P

Pocinho - Monte - Candelária







Fotos: Sandra Lopes Amaral

23 April, 2007

História da Vinha e do Vinho



Fotos: Sandra Lopes Amaral
"Não se pode definir com exactidão a origem da videira Vitis vinífera havendo, no entanto, indícios de que o seu aparecimento seja anterior ao do próprio homem. Quanto à sua origem contam-se várias lendas, como a que nos diz ter sido Noé o primeiro homem a plantar uma vinha, colher e esmagar as uvas e com o sumo obtido se ter embriagado.
No entanto, através de certas obras de arte encontradas no Médio-Oriente, onde estão representadas cenas ligadas ao vinho, sabemos que este já tinha um papel importante na vida dos povos no ano de 5000 a. C. (antes de Cristo). A vinha e o vinho foram conhecidos muito cedo no Egipto, existindo testemunhos históricos que representam uma cena de vindima e de pisa de uvas, por volta de 1370/1352 antes da nossa era.
Vestígios encontrados no túmulo do Faraó Egípcio Akenaton, que reinou no Egipto por essa altura, confirmam esses factos. Todavia, é no decorrer das civilizações Grega e Romana que a cultura da vinha se expandiu.
Para provar tal afirmação, basta lembrar que os Gregos lhe consagraram um Deus: Dionísius, que na mitologia Romana passou a designar-se por Bacus. Também Homero na Ilíada e na Odisseia se refere aos vinhos romanos.
A vinha chega ao território que mais tarde viria a ser Portugal, provavelmente, com os Tartécios, em 2000 a. C (antes de Cristo). Mas foram os romanos que expandiram a cultura da vinha, mais ou menos, por toda a bacia mediterrânica.
É de salientar o papel importante da Igreja Católica na difusão da vinha e na generalização do uso do vinho. A Igreja Católica consagrou o pão, mas também o vinho, passando este a fazer parte do ritual sagrado da missa. Com a necessidade de obterem o chamado vinho de missa, os monges tornaram-se os grandes impulsionadores e mestres da cultura da vinha e do fabrico do vinho.
Durante o domínio dos Mouros na Península Ibérica, a cultura da vinha e o fabrico do vinho foram imensamente prejudicados, visto que o Islão proíbe o consumo de álcool. No início da Nacionalidade já a produção e o comércio do vinho mereciam, por parte dos nossos monarcas, especial atenção que, de tempos a tempos, lhe concediam Forais e Cartas Régias. Os Reis D. Dinis e D. Fernando protegeram o comércio do vinho dos Judeus. Porém, foi com o Marquês de Pombal que, definitivamente, a vinha conquistou o seu grande estatuto entre nós. Foi sob as suas ordens que a região do Douro foi demarcada em 1756, tendo para tal sido criada a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, o que corresponde, na prática, à demarcação da primeira região vinícola do mundo. De referir ainda o incremento por ele dado às regiões de Bucelas e Colares.
Em 1864 surge em França a terrível doença mortal, Filoxera, que dizimou praticamente toda a vinha da Europa. Para combater tal doença, recorreu-se à importação de videiras americanas, cujas raízes não eram atacadas por esta doença. Todavia, ao solucionar este problema, criou-se um outro, dado que se atribui às videiras americanas a propagação do Míldio, doença que se tem mantido até os nossos dias e que origina custos elevados nos cuidados e protecção da vinha.
É impossível falar do vinho e do seu valor alimentar sem lembrar a célebre figura de Pasteur e os estudos por ele efectuados sobre o vinho e as suas descobertas.
Pasteur disse uma célebre frase: "O vinho é a mais sã e higiénica das bebidas."
A mais sã, pois num vinho normal não existem micróbios que nos causem doenças, o que não acontece, por exemplo, com a água. Uma bebida higiénica pois, tomada nas devidas proporções, contribui para a nossa saúde. Concorre ainda para a nossa alimentação, visto que contém substâncias minerais diversas. É, contudo, necessário tomá-lo com conta, peso e medida."

“A penicilina cura a humanidade, mas o vinho contribui para a sua felicidade.”
(Fleming)

20 April, 2007

Reflexões - Ética versus Lei do + Forte


O pensamento não nos oferta, impreterivelmente, uma visão excepcional do significado de acontecimentos históricos isolados. Estes podem insistir em ser um enigma aflitivo para os cristãos, tanto quanto para qualquer um. Para nós, todavia, o mistério encerra, na sua própria opacidade e nos seus inerentes silêncios, uma presença e um sentido que captamos sem os compreendermos em absoluto. E, através desta ligação mística, deste acto de fé, situamo-nos adequadamente em conformidade aos factos que nos circundam, mesmo sem ver com nitidez aonde vão.

Uma coisa é certa: a humildade da fé, se acompanhada das consequências pertinentes — a aceitação do trabalho e do sacrifício demandados por esta tarefa providente — serão muito mais úteis em nos arremeter no amplo curso da realidade histórica do que as soberbas racionalizações dos políticos que se encaram, de alguma forma, como condutores e manipuladores da história. Os políticos podem, sim, fazer história, mas o significado do que estão fazendo é, inexoravelmente, algo como um dialecto que jamais compreenderão e que contraria os seus competentes projectos e transforma todas as suas realizações numa paródia paradoxal de promessas e sonhos.

Sem dúvida, é verdade que a religião num nível leviano, a religião que é infiel a si mesma e a Deus, pode indubitavelmente converter-se no "ópio do povo". Isto ocorre sempre que a religião e a oração invocam o nome de Deus por causas e com propósitos que nada têm a ver com Ele. Quando a religião se estabelece numa mera fachada artificial para fundamentar um sistema social ou económico, quando a religião cede os seus ritos e a sua linguagem aos propagandistas políticos, e quando a oração se metamorfoseia num veículo para um programa ideológico puramente secular, então, sim, a religião se torna um opiáceo. Afrouxa o espírito a ponto de consentir que a ficção e a mitologia substituam a verdade da vida. E isso causa a alienação do fiel, transfigurando o zelo religioso em fanatismo político. A nossa fé em Deus, ao proteger e defender normas tradicionais converte-se, de facto, fé na nossa própria nação, classe ou raça. A nossa ética deixa de ser a lei de Deus e do amor e transforma-se na "lei do mais forte": a prerrogativa estabelecida justifica tudo. Deus está no "Status quo."

E que assim seja!

"A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade."

Autor: Nietzsche , Friedrich

São Mateus do Pico


18 April, 2007

Stations of the Cross, by Fernando Pessoa



"I come from afar and bear in my profile,

If only in remote and misty form,

The profile of another being, at variance

With the base and human silhouette now mine.


Perhaps in former times I was, not Boabdil,

But merely his last look from the road

At the face of the Granada he was leaving,

A cold silhouette beneath the unbroken blue...


What I am now is that imperial longing

For what I once saw of myself in the distance...

I am myself the loss I suffered...


And on this road which leads to Otherness

Bloom in slender wayside glory

The sunflowers of the empire dead in me..."