"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota." (Madre Teresa de Calcuta)
23 October, 2009
Sou Livre Quando...
09 October, 2009
São Mateus, hoje e amanhã


Pessoalmente, devo dizer-vos que faço parte de uma das listas candidatas à Junta de Freguesia de São Mateus, pelo Partido Social Democrata.
Aceitei porque creio que a equipa que compõe essa lista tem uma inequívoca capacidade para desenvolver um excelente trabalho ao longo dos próximos quatro anos.
São Mateus é uma freguesia com excepcionais pessoas. Pessoas que merecem mais e melhor. Não quero com isto dizer que os elementos da actual Junta não o tenha tentado fazer, porém, a verdade é que ficaram muito aquém das expectativas idealizadas.
Quatro anos é pouco tempo, de facto, tempo que passa a correr, como se de uma prova de velocidade se tratasse. Todavia, existem, como sempre existiram, é vero, imensas obras urgentes e essenciais, que há muito carecem ser edificadas. Muitas delas constavam no manifesto eleitoral da equipa que, actualmente, ainda compõe a “nossa” Junta, mas não foram de todo realizadas.
Devo confessar que, nos primeiros anos, os apoiei e elogiei (está comprovado neste meu espaço), contudo, hoje, olhando para aquilo que foi feito, mas, sobretudo, para aquilo que não foi feito, tenho a noção, como julgo que os meus caros amigos também tem, que muito mais poderia ter sido feito. Não vou entrar em pormenores detalhados, até porque todos vós tendes olhos para ver e consciência disso mesmo.
Acredito que quando alguém se candidata a algo semelhante, fá-lo em consciência e fá-lo, essencialmente, para ajudar, sem olhar ao mérito próprio. Segundo esta linha de pensamento, tenho obrigatoriamente que vos dizer que desempenho a mesma função e usufruo da mesma remuneração de antes. Nada mudou, pelo menos a nível profissional, já que a nível pessoal julgo que algumas pessoas começaram a desviar o olhar quando tenho o prazer e a honra em me cruzar com elas.
Em verdade vos digo que por vezes as coisas não correm de acordo com as nossas expectativas, já que muitas vezes não basta querer, também é necessário saber e poder. No entanto, há que reconhecer as falhas e evidenciá-las ao encontro do futuro.
NOTA: É importante comunicar, uma vez mais, que o candidato do Partido Social Democrata, Mário Silva, será efectivamente o Presidente da Junta de Freguesia de São Mateus, caso seja eleito pela população da nossa comunidade, e que irá fazê-lo, sem dúvida alguma, de uma forma responsável e digna.
30 March, 2009
A Pedra
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
20 January, 2009
A verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo!

25 October, 2008
O Essencial é Amar...

Para pessoas que não sabemos se são certas na hora de amar,
compreensivas na hora de ajudar,
sinceras na hora de conversar,
verdadeiras na hora de desejar,
aconchegantes como as noites de luar,
firmes como o chão que queremos pisar,
sensíveis como a melodia que insiste em nos tocar,
inconstantes na hora de caminhar.
Como saberemos então se as pessoas que encontramos são certas ou erradas?
Nunca saberemos...
O essencial é amar, amar muito, amar sempre, e ver com os olhos da alma.
23 October, 2008
Quantas vezes...

Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado o ideal e os sonhos;
Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça;
Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir;
Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas;
Quantas vezes falamos, sem sermos notados;
Quantas vezes lutamos por uma causa perdida;
Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota;
Quanta vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes;
Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz;
E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor;
E a gente insiste;
Insisti em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser;
E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho:
Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito.
E a gente insiste em seguir, porque tem uma missão:
Ser Feliz e fazer as outras pessoas Felizes !
22 August, 2008
Existem Feridas que não Cicatrizam!

Não me parece muito certo que uma pessoa não mate outra porque tem medo de ir para cadeia, na realidade parece-me um absurdo. Matar alguém não só é absurdo e estúpido como é, similarmente, um acto de asselvajamento. Não matamos, pois amamos a nossa vida, assim como amamos a vida do próximo. Não somos, ou pelo menos não deveríamos ser animais. Não matamos porque, acima de tudo, respeitamos a vida. Não matamos porque temos consciência.
Analogamente, também não me parece ser muito normal ou correcto quando não nos aproximamos do fogo por medo de nos queimarmos. Sabemos, à priori, que o fogo queima e subsequentemente devemos ser prudentes e não medrosos, devemos estar conscientes desse facto.
Ter cuidado é sobretudo ter atenção, prudência e não ter medo. Usamos a palavra ter cuidado quando queremos que se tema algo ou alguém. Prudência é a arte e a sabedoria de aproveitarmos todas as experiências para aprimorar tudo o que fazemos ao longo da nossa existência.
Devemos fazer as coisas porque compreendemos e não porque tem que ser, ou porque um ou outro disse que é assim ou assado. O medo não pode servir de regulador moral, pois o certo e o errado é demasiadamente relativo e abstracto.
Todo o desejo trás consigo medos. No instante em que desejamos um emprego ou uma promoção, surge o medo de não conseguirmos. A mente começa a criar situações mirabolantes, entramos num turbilhão de ideias. O desejo de possuir algo carrega consigo o medo de não o conseguirmos, traz consigo a repulsa pelo oposto, que é o desejo incontrolável de que o oposto não aconteça. A repulsa está cheia de medos escondidos.
O medo leva-nos a fazer sempre o mesmo, aquilo que já conhecemos, pois é seguro, assim criamos rotinas, hábitos, crenças e dogmas. Contudo, depois de algum tempo chegamos à conclusão que a nossa vida é um autêntico tédio. Estamos bloqueados pelo medo, estamos cegos. Não estamos abertos ao presente, ao novo, ao verdadeiramente novo. Tudo o que é novo e desconhecido nos dá medo.
Todavia, talvez o medo do novo e do desconhecido, não passe de falta de fé. A impossibilidade de controlar algo nos dá medo. Pensamos que controlamos as coisas, e essa crença, essa sensação, nos dá uma certa segurança. Mas na verdade não podemos controlar algo que não conhecemos, assim sendo sentimo-nos impotentes. Essa necessidade de controlar as coisas é causada também pela auto importância, pelo medo de sermos expostos publicamente, pela insegurança, pelo medo de que as nossas máscara caiam de uma vez por todas.
Talvez o medo do novo e do desconhecido não exista, talvez o que exista seja, simplesmente, um apego ao conhecido, um medo de perder o conhecido, pois aquilo que já conhecemos é seguro, por mais sofrido que seja.
Dizemos que queremos mudar que queremos parar de sofrer, que queremos ser felizes. Mas não nos permitimos a mudanças, tememos as mudanças, resistimos às mudanças externas. Essa resistência é um reflexo das nossas resistências internas contra as mudanças. Podemos medir o nosso medo pelas resistências que temos.
O medo cria demasiadas barreiras, inúmeras pontes inacabadas e excessivos muros de protecção, pois cremos que existem ameaças das quais temos que nos proteger e defender. Claro que estas barreiras são para proteger os egos, a nossa auto-imagem e o nosso orgulho. O medo não está zelando por nós, muito pelo contrário, está nos travando. Ele é o grande responsável por todos os nossos preconceitos e superstições. O medo traz o desejo de segurança e o desejo de segurança traz consigo a insegurança.
Em verdade vos digo que, até há pouco tempo, o meu maior medo era verbalizar aquilo que penso e sinto. Talvez porque sabia que se o fizesse muitas das minhas relações familiares ou, até mesmo, de amizade iriam quebrar-se em mil pedaços para todo o sempre, pedaços tão minúsculos que me levariam uma vida inteira, e mais algum tempo, para os conseguir juntar. Porém, às vezes somos como uma garrafa de vinho espumante, daquelas rafeiras, se a sacudirmos muito sujeitamo-nos a ver a rolha sair com uma facilidade enorme. E depois dela sair, além de molharmos aqueles que estão defronte, jamais a conseguimos colocar no seu devido lugar. Pretendi, com esta comparação, dizer-vos que finalmente consegui ultrapassar o meu medo. Actualmente digo o que penso e sinto em voz alta, todavia, esta minha atitude já me trouxe alguns dissabores. Pois é, a tal velha máxima “diz o que queres, ouves o que não queres” anda no ar, pelo menos prós lados da Pontinha.
Finalizando esta missiva, que já vai longa, e porque não vos quero aborrecer mais com os meus desabafos, devo dizer-vos que outrora alguém disse que o tempo cicatriza todas as feridas, mesmo aquelas que estão profundamente impressas na alma e no coração, contudo, por vezes isso não é de todo verdade, até porque existem feridas que não cicatrizam, …, nem com todo o tempo do mundo.
E que assim seja!
Citando Samael Aun Weor em "A Revolução da Dialéctica":
"O medo faz surgir na mente o desejo de segurança. O desejo de segurança escraviza a vontade convertendo-a numa prisioneira de auto-barreiras definitivas; dentro delas escondem-se todas as misérias humanas.”
"O medo produz todo tipo de complexo de inferioridade. O medo à morte faz com que os homens se armem e se assassinem uns aos outros. O homem que carrega um revólver no cinto é um covarde, um medroso. O homem valente não carrega armas porque não teme a ninguém."
Pensamento
"Não se tem razão quando se diz que o tempo cura tudo: de repente, as velhas dores tornam-se lancinantes e só morrem com o homem."
10 July, 2008
“The Special One”.
Caros leitores, muitos são aqueles que vivem a sua vida em função do proveito próprio.Vamos fazer isto ou aquilo. Mas espera aí. Quanto é que vamos lucrar com o nosso feito?
Aí está a pergunta que inúmeras pessoas fazem a si próprias, quando pensam em fazer algo ou, de alguma forma, ajudar um ser necessitado.
É ver que poucos são aqueles que despem a sua camisa para abrigar um irmão esfriado, sem que essa atitude albergue uma quantia monetariamente benéfica.
Porque será que mudámos tanto o nosso comportamento?
Passámos de seres solidarizados para seres apalermados?
Creio que sim.
Pois é. O dinheiro transforma, quase sempre para pior, as melhores pessoas. Dá-nos a volta à cabeça e faz-nos ser aquilo que não somos. Transforma-nos em pessoas “de nariz empinado”, e deixamos de dar valor às coisas realmente importantes que temos nas nossas vidas, tais como a família e os amigos, entre tantas outras.
Agora que temos uns trocos na algibeira vamos lá mudar de amigos porque os velhos já não pertencem à nossa classe social, já não são do nosso nível. Vamos lá comprar um carro topo de gama para passarmos pelos nossos amigos e os deixarmos para trás. Agora que temos amigos novos, verdadeiramente importantes, vamos lá cortar relações com a nossa família, porque a família dos nossos amigos tem mais euros do que a nossa.
Enfim, …, comportamentos deste tipo são o pão-nosso de cada dia na nossa ilha. Todos os dias deparamos com atitudes deste calibre e, digo eu, pouco dignas. A grande maioria das pessoas que outrora estimávamos imenso, agora não passam de vulgares conhecidos de uma outra época, quiçá de uma outra vida.
Em verdade vos digo que aquilo que aparentamos ser não é de todo o que realmente somos. Podemos ter dinheiro, uma boa casa, um bom carro e um bom emprego, todavia, somos à priori indivíduos iguais a todos os outros que por cá andam.
Às vezes temos que chamar à Terra e à razão aqueles que andam em Marte e na ilusão.
É-me bastante difícil entender as pessoas que colocam o dinheiro e os bens materiais, que eventualmente possam ter, à frente de coisas que deveriam ser, obrigatoriamente, muito mais importantes, como os nossos sentimentos, ou até mesmo, a nossa entreajuda.
Há uns dias alguém me disse:
- Ninguém faria aquilo que estás a fazer por “A”, “B” ou “C”. Eles tem uma enorme divida para contigo, nem que seja uma divida de gratidão.
Ao que eu objectei:
- Não, não tem. Aquilo que eu possa ter feito ou faço por “A”, “B” ou “C” é entre mim e Deus, quando chegar à minha hora e tiver a honra de estar perante Ele.
Não quero com isto dizer que sou, como diz o José Mourinho, “the special one”. Nada disso! Simplesmente tenho uma coisa que, hoje em dia, poucas pessoas têm – consciência.
13 June, 2008
Estava perdido e apareceu!
Falta de tempo é sem dúvida um dos motivos. Contudo, não é o único.
Pois bem, por vezes a vida torna-se um pouco, para não dizer muito, complicada, às vezes passamos por situações que jamais imaginámos possíveis. Todavia, essas situações acontecem sem nos darmos conta e sem sabermos porquê. Tentamos lidar com elas diariamente, diligenciamos enfrentá-las da melhor forma exequível, mas mesmo assim não vemos, nem por um canudo, resposta para as legitimar.
Quem disse que a vida é fácil?
Pois é, a vida não é nada fácil, até é extraordinariamente difícil, tão difícil que por vezes se torna detestável, porém, lá vamos nós vivendo enquanto Deus consente.
Queridos amigos, eu tenho por hábito viver a minha vida segundo as profecias que Jesus nos ensinou. Quando me deparo com alguma dificuldade pego na minha bíblia (amiga de muitos anos) e analiso minuciosamente uma ou outra parábola que se associe a essa situação, e que me ajude a pelejá-la.
O que fazer?
Ai está. Uma questão que à priori parece simples, mas que até é bastante complicada. Particularmente quando não temos conhecimento de causa e, subsequentemente, não sabemos o que realmente devemos fazer.
É evidente que num momento de desespero rezamos uns terços, pedimos a Deus e aos Santos um milagre, prometemos fazer, em troca de um desejo cumprido, uma infinidade de coisas (na maioria das vezes fazemos promessas absurdas que não conseguimos cumprir por falta de condições financeiras, físicas e psicológicas), mas mesmo assim a coisa não vai lá.
Enfim… ninguém é perfeito, e quem diz que é está longe de o ser!
Uma das parábolas que Jesus nos ensinou, aquando da sua rápida passagem pela Terra, fala-nos de um filho que abandonou o seu pai, que se distanciou daqueles que gostavam dele, decidiu, sabe-se lá porquê, explorar o mundo, e após passar pelo “inferno” concluiu que o melhor para si era retornar a casa. No dia em que regressou, o seu pai vestiu-lhe com as melhores vestimentas, abateu o seu bezerro mais gordo e fez-lhe uma grandiosa festa de boas vindas. Vendo isto, o seu filho mais velho ficou encolerizado porque tinha servido o pai tantos anos, sem nunca o desiludir, e nunca tinha sido agraciado desta forma. Então o pai disse-lhe: “- Meu filho, tu estás sempre comigo e tudo o que eu tenho é teu, mas era preciso fazermos uma festa e alegrarmo-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e apareceu.”
Depois de tantos anos a ouvir e ler esta parábola, somente agora compreendi o seu significado.
Em verdade vos digo que são inúmeras as vezes que temos de amar e auxiliar aqueles que carecem voltar a viver. Mesmo quando não os compreendemos.
Temos que acreditar neles e, sobretudo, ter fé em Deus. Talvez assim valha a pena continuar a lutar.
E que assim seja!
15 February, 2008
Escolha Nossa de Cada Dia!

Arrematando, peço que Deus dê a sua bênção aos mais nobres políticos, porque tenho a crença que ainda existem alguns por aí.
E que assim seja!
12 February, 2008
Inteligência, a quanto Obrigas!
Uma recente pesquisa feita aos estudantes Portugueses registrou um dado cultural excessivamente evidente, mas que ainda não foi analisado com a veemência que o problema impõe. Percebeu-se que os alunos que têm o hábito de estudar são, sistematicamente, hostilizados pelos colegas. Por outras palavras, aqueles que gostam de ler, que prestam a devida atenção nas aulas e que se dedicam ao curso que escolheram são discriminados e ridicularizados pela maioria. Além de enfrentarem os livros, esses alunos têm que pelejar contra uma cultura de atraso para cimentar a sua posição perante a turma. Em verdade vos digo que não existe nada que nos dê mais satisfação do que ter uma conversa inteligente com alguém, principalmente quando sabemos do que estamos a falar e, assim sendo, podemos também opinar sobre esse determinado assunto.
Mas o mais trágico é quando percebemos que o pacto pela burrice já envolve políticos, jornalistas e até professores – aqueles que supostamente deveriam valorizar o saber. Essas pessoas abominam a inteligência e, sempre que têm oportunidade, proferem piadas de “esgoto” para caracterizar os estudiosos, ao mesmo tempo que elogiam a futilidade e festejam a sua própria ignorância. Precisamos urgentemente de um pacto pela inteligência. Caso contrário, aí sim, ficaremos cada dia mais insensatos.
Finalizando, deixo a esses estudantes (estudantes, mas pouco) que decidiram, por vontade própria, enxovalhar e mal dizer os colegas que vão à escola para apreenderem, e não para passarem o tempo, um ensinamento do conhecido Bill Gates: “respeite o seu colega "betinho", pois provavelmente ele será o seu chefe num futuro próximo...”
E que assim seja!
11 February, 2008
Quem espera, alcança … quando?

Não faço a mínima ideia de quantos ditados populares existem na língua portuguesa, quanto mais somando todas as culturas do mundo. O facto é que, mesmo ignorando grande parte dos ditados universais, só pelos portugueses, já podemos ter um bom entendimento dos erros humanos. Claro que não seguimos à risca todos os ditados, mas quantas vezes ouvimos uma opinião acompanhada de um deles? Perdi a conta. E os erros humanos vêm daí: é um ditado refutando o outro. Toda esta introdução para tentar compreender quando, quanto tempo e se, devemos esperar. Por algo, ou por alguém.
Alguém outrora disse que esperar é desistir. Será que quando desistimos, estamos realmente perdendo todas as esperanças? Creio que não. Afinal, não é ela a que morre por último? E já cá faltava um ditado... Quando falo de espera, refiro-me desde os quinze minutos de uma fila até os vinte anos de uma amizade. De repente quinze minutos é pouco tempo e não custa esperar, porém, quando se está quase a “esticar o pernil” com uma dor no dedo mindinho, e a curta demora só existe porque a secretária do consultório está na mexericada, ao telefone ou, simplesmente, se esqueceu de nós, a espera acaba sendo agonizante e longa demais. Tudo pode ser relativo. Como os vinte anos de amizade, que parecem dias, se não fossem as marcas do tempo, …, afinal os meus amigos mudaram tanto, quando e em verdade vos digo que, no fundo, não mudaram nada,..., eu é que não sabia ontem o que sei hoje!
Quem espera sempre alcança, dizem. Alcança resignação, desapontamento e desilusões. Tem quem espere tentando, tem quem confie na mãozinha do destino, sem saber que muitas vezes o tal aludido é maneta, e está com a outra mão ocupada. Espera pela vez, espera pela voz. Alguém que disse que vinha, e estamos até hoje à espera do tal fulano para jantar. No fundo, sabemos que já não vem, mas mesmo assim esperamos. No fundo guardamos a esperança, mesmo quando não nos apetece esperar mais. Esperar quando? E quando não o fazer? Esperar quanto tempo? Existem regras? Bom, se existem, confesso desconhecer, e desconheço também quem conheça.
“Se água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, então quer dizer que se eu tentar de todas as formas (im) possíveis, consigo o que tanto espero? E se não der certo? É culpa do ditado. Então não tento nada, e quem sabe se esperando não acabo alcançando? E se mesmo assim não funcionar? O ditado será, uma vez mais, o culpado?
Pois é, existem alturas que não adianta inventar em quem pôr a culpa, já que a espera por explicações é supérflua, e o que foi feito não tem mais volta. Aí o melhor é esperar, quem sabe se a solução das coisas não vem de joelhos, e acabamos todos por alcançar o esperado, e desistimos de esperar pelo que não está ao nosso alcance.
E que assim seja!
27 December, 2007
Balanços...

No fim do ano somos atropelados por balanços. Pelos nossos, pessoais e intransmissíveis, e pelos dos outros, que pedem conselhos e ideias porque é no dia 1 de Janeiro, e nem um minuto depois, que vão mudar radicalmente a sua vida. Faça chuva ou faça sol.
Balanços com prazos e hora marcada nem sempre resultam. Basta, como dizia Fernando Pessoa, que uma constipação tome conta do nosso cérebro, para espirrarmos até à metafísica, e não adiantarmos nada às decisões que tomámos num dia em que transbordávamos de saúde e energia. Mas os balanços, em si, são uma arma útil, para irmos corrigindo percursos, e percebermos que vamos a tempo de alterar o rumo, antes que seja tarde de mais.
Assim sendo, o saomateus2005 vai fazer, em seguida, um breve balanço sobre os (10+) e os (10–) deste ano que está a chegar ao fim.
E os (10+) são:
1. Mais um ano e mais uma soberba Corrida dos Reis. Imensos Atletas de renome internacional e, claro, a sempre “nossa” Rosa Mota.
2. Subida do Boavista de São Mateus à 3ª Divisão da Série Açores e reconstrução do novo Estádio Municipal Bom Jesus.
3. Regresso dos jogos do Boavista a São Mateus. “O bom filho à casa torna”.
4. Alargamento e pavimentação dos caminhos secundários da nossa freguesia. “Se não podes realizar grandes coisas, podes pelo menos fazer pequenas coisas com grandeza.”
5. Teatro de Natal da Escola Primária de São Mateus. É sempre excepcional ver as crianças actuarem nestas ocasiões.
6. Grupo Folclórico das crianças da Escola Primária de São Mateus. Inédito e muito bem conseguido. É nossa obrigação agradecer aos professores e ensaiadores.
7. Lançamento do DVD do Grupo Folclórico e Etnográfico “Ilha Morena” da Casa do Povo de São Mateus. “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. - É a única.”
8. O saomateus2005 fez 2 anos. E está de pedra e cal. “A bravura provém do sangue, a coragem provém do pensamento.”
9. I Regata Botes Baleeiros Terra do Bom Jesus. “A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo o fruto delicioso amadurece lentamente.”
10. Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso. Rios de pessoas inundaram os caminhos de São Mateus na busca religiosa que este dia consagra.
E os (10–) são:
1. À tal entrevista sobre a Corrida dos Reis que não me foi concedida, e que ainda hoje não percebi o porquê de tal decisão. Talvez pró ano…
2. O Miradouro da Pontinha teima em não ser acabado. Talvez pró ano…
3. Nadar este ano na Piscina foi impensável. Talvez pró ano…
4. Depositar resíduos sólidos em tudo o quanto é lado ainda é um hábito na nossa terra. Talvez pró ano…
5. O Boavista, simplesmente, não aposta em novas modalidades desportivas. Talvez pró ano…
6. À falta de um posto de abastecimento de combustível em São Mateus. Talvez pró ano…
7. À inexistência de um anexo na Escola Primária de São Mateus para a prática de actividades desportivas e lúdicas. Talvez pró ano…
8. Trabalhar em véspera de Natal, à chuva e, ainda por cima, numa Instituição Pública devia ser proibido por lei. Talvez pró ano…
9. Aos comentários maldosos e insustentáveis sobre tudo e todos. Talvez pró ano…
10. À inexplicável e constante censura a este Blog. Talvez pró ano…
Talvez pró ano a coisa mude. Os votos do saomateus2005 para o próximo ano são que os (10+) continuem e que os (10–) alterem o seu rumo, até porque ainda há tempo.
E que assim seja!
06 December, 2007
De Ideias como esta está o Inferno Cheio!
O barco ambulância "Rygerstril" é a embarcação mais veloz produzida pelo estaleiro norueguës Brodrene AA, tendo como característica principal de sua construção o uso do processo de Infusão DIAB - BARRACUDA utilizando espumas de PVC Divinycell e fibras de carbono. O resultado obtido foi uma redução de 40% no peso, comparado aos materiais e processo de construção utilizados anteriormente para um barco deste porte. Consequentemente, com maior resistência e menor peso, a lancha de 55 pés de comprimento consegue atingir uma velocidade máxima de 56 knots, sendo um dos finalistas da JEC Composites Innovation Awards, a conferência mundial de composites que acontece todos os anos em Paris.“O Governo Regional vai encomendar aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a construção de uma embarcação específica para o transporte de doentes entre as Ilhas do Pico e do Faial, noticia a Lusa.
O anúncio foi feito, há uns tempos, pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, durante uma reunião entre o executivo socialista e o Conselho de Ilha do Pico.
Segundo explicou Domingos Cunha, a «ambulância-marítima» será equipada com todas as «capacidades» para socorrer e transportar doentes provenientes da Ilha do Pico para a vizinha Ilha do Faial, onde fica situado o Hospital da Horta.
Respondendo às críticas do Conselho de Ilha, que contesta a falta de condições no transporte de doentes que atravessam o canal a bordo das embarcações de transporte público de passageiros da Transmaçor, o governante adiantou que já exigiu aos serviços de saúde da Ilha, informações sobre a forma como se processa esse transporte.
Segundo o relato de um dos conselheiros, por vezes os doentes do Pico vão «amontoados» no barco para o Faial, uns evacuados de urgência, outros com o intuito de receberem tratamentos que não existem nos três Centros de Saúde do Pico.”
Grande ideia. Lá vai o Governo Regional gastar mais uns euros num barco que, na minha opinião, em pouco ou nada nos vai auxiliar. E quando o mar estiver cavado a grosso, tornando-se alteroso a tempestuoso, com vagas de 8 a 10 metros? Ah, pois é. Será que ninguém pensou nisso. Todavia, temos duas hipóteses. Ou morremos no Pico porque não temos um Hospital, nem condições para sermos sanados, ou então vamos para o Faial no Barco Ambulância e aventuramo-nos a ouvir o tiloli-tiloli-tiloli (sirene do Barco Ambulância) pelo mar abaixo.
E esta eh!
19 November, 2007
O Puzzle da Vida

Viver é ir aprendendo a decidir da forma mais tranquila possível, no meio de mil possibilidades, que na sua grande maioria não se realizarão. É ir escolhendo e renunciando, avaliando e, ao mesmo tempo, reconhecendo que nunca temos a certeza das decisões que tomamos, porque não temos a experiência do que aconteceria com as outras escolhas que deixamos de lado.
Viver é procurar, constantemente, o sentido que se edifica dia a dia, nas pequenas decisões. Sentido que se vai revelando em alguns momentos marcantes, ou quando conseguimos enxergar mais alto, quando obtemos uma perspectiva mais abrangente. Esses momentos fortes ajudam a que tentemos ampliar os significados recônditos do quotidiano, quando tudo parece tão fútil e repetitivo.
Podemos aprender a desvendar, a compreender e a aceitar os caminhos que já percorremos.
Aprender a compreender e a aceitar as escolhas actuais, a permanente dúvida de estarmos acertando nas decisões, a incerteza do que deixamos de lado, do que poderíamos ter sido, ter feito, ter tentado.
Aprender a aceitar que viver é uma permanente prática de escolhas, de ganhos, de renúncias, de acertos e de erros, com os quais vamos construindo o puzzle das nossas vidas, o nosso caminho.
Aprendemos a viver quando navegamos na incerteza e, ao mesmo tempo, confiamos na nossa bússola, procuramos aprimorá-la e não nos castigamos por erros de pilotagem, mas, ao contrário, aprendemos com eles. Se equilibramos a incerteza e a confiança encontraremos o melhor trilho.
Em verdade vos digo que viver significa estar de olhos bem abertos, aceitar as escolhas que outrora tomámos, enfrentar decisões contraditórias, sentir que estamos realizados e em paz. É constatar que, mesmo em situações precárias, avançamos na compreensão de nós mesmos, de tudo o que nos rodeia e nos sentimos mais confiantes e mais vivos do que nunca.
Eu estou vivendo… E tu?
15 October, 2007
Amei-vos uns aos outros
Caríssimos Irmãos, há dias na nossa vida em que a falta de um amigo é maior do que tantas outras coisas que julgamos importantes, ou àquelas que dedicamos tempo e energia, até porque existem amigos que são mais chegados do que um irmão. E, sem dúvida, a amizade é algo extraordinariamente importante na vida de qualquer um. Pois temos necessidade de alguém em quem podemos confiar os nossos segredos, compartilhar as tristezas, alegrias, sonhos, conversar meramente, sem pauta previamente estabelecida; alguém com quem não precisamos usar de formalidades ou artificialidades, pois nos aceita como somos e não espera que sejamos sobre-humanos; alguém que ajuda a carregar os fardos que acumulamos ao longo da nossa vida. Todavia, podemos observar que amizade verdadeira é algo a ser cultivado, porque não se encontra a todo o momento ou em qualquer lugar. É muito mais raro do que se deseja. Quem tem uma vida saudável, certamente é alguém que tem amigos. Quem não os tem, sofre. Em verdade vos digo que a arte de cultivar amizades tem muito que se lhe diga e não é para qualquer um, pois uma verdadeira amizade é construída no chão do amor que não espera retorno. Onde se ama por amar. A Amizade não é, ou pelo menos não deveria ser, um tipo de investimento no mercado financeiro que aguarda lucro a pequeno, médio ou longo prazo, nem tão pouco um mesquinho jogo de interesses.Todos sabemos que fazer e manter amigos traduz, sem dúvida, saúde à alma e ao coração. Contudo, quantos de nós estamos dispostos, simplesmente a amar, mesmo correndo o risco de não sermos amados. Quantos de nós estamos dispostos a fazer o que Jesus fez, já que sabendo, à priori, da possibilidade de ser traído, não usou de estratagemas ou hipocrisias para autodefesa. Foi atraiçoado, negado e abandonado no momento mais crítico. Quando precisava de companhia na angústia da noite de vigília, os amigos não atenderam ao seu chamado para acompanhá-Lo em oração, visto que dormiam. Quando Judas, o traidor, vem para entregá-Lo aos soldados, com um beijo, Jesus o chama de amigo. Quando encontra Pedro, depois deste tê-Lo negado, ainda lhe dá um voto de confiança e restabelece a normalidade, tanto da comunhão quanto da tarefa privilegiada de continuidade da Sua obra.
Amigo confia, continua amigo e não muda de opinião consoante a direcção do vento ou da posição do Sol. Seguindo a vida de Jesus um pouco mais de perto, vemos que para alguém ser Seu amigo não precisava ser perfeito, mas que estivesse disposto a estar ao Seu lado. Pois, Ele não trazia nenhum tipo de ilusão a respeito da natureza humana. Por isso não se abalou quando nos momentos mais agudos de solidão e angústia se viu sozinho.
Creio, sinceramente, que quando o amigo falta, é como se nos faltasse o chão. Quando somos traídos, a ferida corrói de forma penosa e devastadora. Mas, quando dependemos de Deus e fazemos Dele a nossa força, somos sempre seres que atraem amizades, mas que não dependem da reciprocidade delas para a estabilidade plena. Actualmente, faço do Senhor a minha força e esperança. Agindo assim, torno-me como uma árvore plantada junto a um ribeiro de água, cuja folhagem não murcha e os frutos são dados na estação apropriada. Árvore assim avoca gente para sua sombra. Só quem tem ilusões a respeito do ser humano e o coloca no lugar de Deus é que sofre decepções e amarguras na vida. Eu, graças a Deus, não padeço desse mal.
22 September, 2007
Síndroma do Coitadinho (Doença Comum nos Seres Humanos)
Caríssimos amigos, já ouviram falar do “Síndroma do Coitadinho”? Pois é... segundo sei, por experiência própria, existe imensa gente nesta situação de misericórdia, pessimismo e revolta. O mais lamentável é que o “coitadinho”, na sua posição de vítima do mundo, acaba por se tornar vítima de si mesmo e da sua inquietação.Há criaturas que não conseguem conviver com as suas próprias limitações e com as suas incapacidades. São cobradoras em excesso, e tendem a culpar tudo e todos pelos seus insucessos, arranjando desculpas esfarrapadas e justificativas para não assumirem a rédea das suas próprias vidas. Fazem questão de se auto rebaixar diante das outras pessoas – “Não faço nada direito”, “Só dou trabalho”, “A minha vida está um balbúrdia”, “Ninguém me entende”, “Não tenho sorte nenhuma” – numa forma inconsciente, ou talvez não, de culpar os outros pela sua desmesurada desgraça.
A "vítima" é aquela pessoa que, através de chantagens emotivas e subtis, coloca todos aqueles que estão à sua volta, quiçá até os próprios pais, compadecidos pela sua enorme dor. E, neste processo, naturalmente, a sua vida vai ficando cada vez pior e mais caótica. Como não descortina o seu próprio potencial e vive revoltado, o “coitadinho” desenvolve uma inveja tremenda aos que são bem sucedidos, distanciando-se cada vez mais das suas realizações. Ele sente-se incapaz de aceitar mudar e reagir – “Eu nasci assim, vou morrer assim” – a não ser que lhe comprem um carrinho.
O mais triste é que o “coitadinho”, com o seu derrotismo, suga todas as energias e o capital, claro, de quem lhe dá atenção e, em pouco tempo, já não há mais nada para os outros.
Em verdade vos digo que é deprimente, inexequível e nada saudável conviver com quem não se valoriza e não assume as suas cabeçadas, as suas escolhas e os seus caminhos.
A única forma da “vítima” sair do fundo desse abismo de emoções doentias é se perdoar pelas suas limitações e escolher aprender com as suas mágoas e crises, colocando-se no comando da sua própria existência. Creio, sinceramente, que é necessário que os “coitadinhos” deste mundo encontrem um sentido para viver, uma auto motivação para mudarem e um incentivo, vindo de dentro, para serem felizes e proporcionarem aos outros uma presença suave, divertida e bem-humorada.
Como diz o escritor Kau Mascarenhas: "Há e sempre haverá uma forma mais doce de viver. O sofrimento, no momento em que é percebido como sofrimento, já está no ponto derradeiro da sua função e precisa ser substituído por uma outra semente. Agradeça às lágrimas do passado e diga-lhes adeus. O momento agora é de focalizar os sorrisos do futuro. Há e sempre haverá uma forma mais doce de viver."
E que assim seja!

