22 August, 2008

Férias


Isto vai parar para férias e não vão haver mais posts nos próximos tempos… Poderá, eventualmente, haver um ou outro, mas na máxima força só mesmo em Outubro. Até lá, gozem bem as férias, trabalhem, estudem ou não façam nada… Fui.

Existem Feridas que não Cicatrizam!


Um dia alguém disse que o medo é um sentimento bom, pois impede que as pessoas cometam as mais inumanas loucuras e profiram as mais impensadas palavras.
Não me parece muito certo que uma pessoa não mate outra porque tem medo de ir para cadeia, na realidade parece-me um absurdo. Matar alguém não só é absurdo e estúpido como é, similarmente, um acto de asselvajamento. Não matamos, pois amamos a nossa vida, assim como amamos a vida do próximo. Não somos, ou pelo menos não deveríamos ser animais. Não matamos porque, acima de tudo, respeitamos a vida. Não matamos porque temos consciência.
Analogamente, também não me parece ser muito normal ou correcto quando não nos aproximamos do fogo por medo de nos queimarmos. Sabemos, à priori, que o fogo queima e subsequentemente devemos ser prudentes e não medrosos, devemos estar conscientes desse facto.
Ter cuidado é sobretudo ter atenção, prudência e não ter medo. Usamos a palavra ter cuidado quando queremos que se tema algo ou alguém. Prudência é a arte e a sabedoria de aproveitarmos todas as experiências para aprimorar tudo o que fazemos ao longo da nossa existência.
Devemos fazer as coisas porque compreendemos e não porque tem que ser, ou porque um ou outro disse que é assim ou assado. O medo não pode servir de regulador moral, pois o certo e o errado é demasiadamente relativo e abstracto.
Todo o desejo trás consigo medos. No instante em que desejamos um emprego ou uma promoção, surge o medo de não conseguirmos. A mente começa a criar situações mirabolantes, entramos num turbilhão de ideias. O desejo de possuir algo carrega consigo o medo de não o conseguirmos, traz consigo a repulsa pelo oposto, que é o desejo incontrolável de que o oposto não aconteça. A repulsa está cheia de medos escondidos.
O medo leva-nos a fazer sempre o mesmo, aquilo que já conhecemos, pois é seguro, assim criamos rotinas, hábitos, crenças e dogmas. Contudo, depois de algum tempo chegamos à conclusão que a nossa vida é um autêntico tédio. Estamos bloqueados pelo medo, estamos cegos. Não estamos abertos ao presente, ao novo, ao verdadeiramente novo. Tudo o que é novo e desconhecido nos dá medo.
Todavia, talvez o medo do novo e do desconhecido, não passe de falta de fé. A impossibilidade de controlar algo nos dá medo. Pensamos que controlamos as coisas, e essa crença, essa sensação, nos dá uma certa segurança. Mas na verdade não podemos controlar algo que não conhecemos, assim sendo sentimo-nos impotentes. Essa necessidade de controlar as coisas é causada também pela auto importância, pelo medo de sermos expostos publicamente, pela insegurança, pelo medo de que as nossas máscara caiam de uma vez por todas.
Talvez o medo do novo e do desconhecido não exista, talvez o que exista seja, simplesmente, um apego ao conhecido, um medo de perder o conhecido, pois aquilo que já conhecemos é seguro, por mais sofrido que seja.
Dizemos que queremos mudar que queremos parar de sofrer, que queremos ser felizes. Mas não nos permitimos a mudanças, tememos as mudanças, resistimos às mudanças externas. Essa resistência é um reflexo das nossas resistências internas contra as mudanças. Podemos medir o nosso medo pelas resistências que temos.
O medo cria demasiadas barreiras, inúmeras pontes inacabadas e excessivos muros de protecção, pois cremos que existem ameaças das quais temos que nos proteger e defender. Claro que estas barreiras são para proteger os egos, a nossa auto-imagem e o nosso orgulho. O medo não está zelando por nós, muito pelo contrário, está nos travando. Ele é o grande responsável por todos os nossos preconceitos e superstições. O medo traz o desejo de segurança e o desejo de segurança traz consigo a insegurança.
Em verdade vos digo que, até há pouco tempo, o meu maior medo era verbalizar aquilo que penso e sinto. Talvez porque sabia que se o fizesse muitas das minhas relações familiares ou, até mesmo, de amizade iriam quebrar-se em mil pedaços para todo o sempre, pedaços tão minúsculos que me levariam uma vida inteira, e mais algum tempo, para os conseguir juntar. Porém, às vezes somos como uma garrafa de vinho espumante, daquelas rafeiras, se a sacudirmos muito sujeitamo-nos a ver a rolha sair com uma facilidade enorme. E depois dela sair, além de molharmos aqueles que estão defronte, jamais a conseguimos colocar no seu devido lugar. Pretendi, com esta comparação, dizer-vos que finalmente consegui ultrapassar o meu medo. Actualmente digo o que penso e sinto em voz alta, todavia, esta minha atitude já me trouxe alguns dissabores. Pois é, a tal velha máxima “diz o que queres, ouves o que não queres” anda no ar, pelo menos prós lados da Pontinha.
Finalizando esta missiva, que já vai longa, e porque não vos quero aborrecer mais com os meus desabafos, devo dizer-vos que outrora alguém disse que o tempo cicatriza todas as feridas, mesmo aquelas que estão profundamente impressas na alma e no coração, contudo, por vezes isso não é de todo verdade, até porque existem feridas que não cicatrizam, …, nem com todo o tempo do mundo.

E que assim seja!


Citando Samael Aun Weor em "A Revolução da Dialéctica":
"O medo faz surgir na mente o desejo de segurança. O desejo de segurança escraviza a vontade convertendo-a numa prisioneira de auto-barreiras definitivas; dentro delas escondem-se todas as misérias humanas.”
"O medo produz todo tipo de complexo de inferioridade. O medo à morte faz com que os homens se armem e se assassinem uns aos outros. O homem que carrega um revólver no cinto é um covarde, um medroso. O homem valente não carrega armas porque não teme a ninguém."

Pensamento



"Não se tem razão quando se diz que o tempo cura tudo: de repente, as velhas dores tornam-se lancinantes e só morrem com o homem."
Fonte: "Um Escritor na Revolução"
Autor: Ehrenburg , Ilya

20 August, 2008

E Viva o Progresso!


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas. Assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.
Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.
Ano 1978:
Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Manuela Moura Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas. Interrompe e incomoda os colegas.
Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta para a aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um “retardado”. A escola recebe um apoio financeiro adicional por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luís parte o vidro dum carro no bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas valentes "cinturadas".
Ano 1978: O Luís tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008: Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo. O mesmo acontece com o programa Você na TV do Manuel Luís Goucha. Até o Mais Você da Globo se interessa pelo caso excepcional...

Situação: O Zezinho cai enquanto praticava atletismo e arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.
Ano 1978: Passado pouco tempo, o Zezinho sente-se melhor e continua acorrer.
Ano 2008: A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zezinho passa 5 anos em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. Os donos do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um terchamado “chocolate” ao outro.
Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e vai cada um para sua casa. Amanhã são novamente colegas e voltam a ser amigos.
Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas e documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.Os pais dos outros garotos negros rezam para que um dos brancos chame “chocolate” ao seu filho.

Situação: Tens que fazer uma viagem.
Ano 1978: Viajas num avião de TAP. Dão-te de comer, convidam-te a beber seja o que for, tudo servido por hospedeiras de bordo espectaculares, num banco onde cabem dois como tu.
Ano 2008: Entras no avião a apertar o cinto das calças, que te obrigaram a tirar no controle. Enfiam-te num banco onde tens de respirar fundo para entrar e espetas o cotovelo na boca do passageiro ao lado, e se tiveres sede o hospedeiro “amaricado” apresenta-te um menu de bebidas com os preços inflacionados 150%, só porque sim. E não protestes muito, pois quando aterrares enfiam-te o dedo mais gordo do mundo pelo cu acima para ver se trazes drogas.

Situação: Fazes uma asneira na sala de aula.
Ano 1978: O professor espetava duas valentes chapadas, e bem merecidas. Ao chegares a casa o teu pai dava-te mais duas, porque alguma deves ter feito.
Ano 2008: Tu é que fizeste a asneira, mas o professor pede-te desculpa. Já em casa, o teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.
Ano 1978: Não se passa nada.
Ano 2008: As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e “caganeira”.

Situação: O fim das férias.
Ano 1978: Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte começasse a trabalhar.
Ano 2008: Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, stress, seborreia e “caganeira”.

E viva o progresso!

01 August, 2008

Festas do Senhor Bom Jesus Milagroso

FOTO: Sandra Amaral


Festa religiosa de grande importância, sobretudo no grupo central do arquipélago; realiza-se no seu Santuário em S. Mateus do Pico e durante três dias (5, 6 e 7 de Agosto), a imagem do Senhor Bom Jesus Milagroso é venerada por alguns milhares de peregrinos que ali acorrem vindos de todo o arquipélago, bem como muitos emigrantes que ali vêm pagar as suas promessas.

24 July, 2008

A um Poeta


Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

(Antero de Quental)

Aspiração


Meus dias vão correndo vagarosos,
Sem prazer e sem dor parece
Que o foco interior já desfalece
E vacila com raios duvidosos.

É bela a vida e os anos são formosos,
E nunca ao peito amante o amor falece...
Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.

Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:
Se um momento a prendeu mortal beleza,
É pela eterna pátria que suspira...

Porém, do pressentir dá-ma a certeza,
Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,
Eu sempre bendirei esta tristeza!

(Antero de Quental)

14 July, 2008

Montanha do Pico

Montanha do Pico - Açores



O ponto mais alto de Portugal. Este majestoso vulcão tem 2351m de altitude, a sua subida é um triunfo muito duro, mas inesquecível!

10 July, 2008

I need you, I love you - Marc Anthony

"O amor é paciente, é bondoso; a amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."


(Carta de S. Paulo aos Coríntios)

Sarah Mclachlan - I Love You



"Amar é dizer sim do fundo do próprio ser, e com todas as suas consequências à pessoa querida; ajudar a descobrir e conquistar a plenitude que a fará feliz; e tudo isto mediante a entrega de tudo o que cada um é, pode, tem, deseja, sonha... e necessita."

(Tomás Melendo)

“The Special One”.

Caros leitores, muitos são aqueles que vivem a sua vida em função do proveito próprio.
Vamos fazer isto ou aquilo. Mas espera aí. Quanto é que vamos lucrar com o nosso feito?
Aí está a pergunta que inúmeras pessoas fazem a si próprias, quando pensam em fazer algo ou, de alguma forma, ajudar um ser necessitado.
É ver que poucos são aqueles que despem a sua camisa para abrigar um irmão esfriado, sem que essa atitude albergue uma quantia monetariamente benéfica.
Porque será que mudámos tanto o nosso comportamento?
Passámos de seres solidarizados para seres apalermados?
Creio que sim.
Um dos motivos para essa mudança radicalmente comportamental é, sem dúvida alguma, a necessidade consumista.
Pois é. O dinheiro transforma, quase sempre para pior, as melhores pessoas. Dá-nos a volta à cabeça e faz-nos ser aquilo que não somos. Transforma-nos em pessoas “de nariz empinado”, e deixamos de dar valor às coisas realmente importantes que temos nas nossas vidas, tais como a família e os amigos, entre tantas outras.
Agora que temos uns trocos na algibeira vamos lá mudar de amigos porque os velhos já não pertencem à nossa classe social, já não são do nosso nível. Vamos lá comprar um carro topo de gama para passarmos pelos nossos amigos e os deixarmos para trás. Agora que temos amigos novos, verdadeiramente importantes, vamos lá cortar relações com a nossa família, porque a família dos nossos amigos tem mais euros do que a nossa.
Enfim, …, comportamentos deste tipo são o pão-nosso de cada dia na nossa ilha. Todos os dias deparamos com atitudes deste calibre e, digo eu, pouco dignas. A grande maioria das pessoas que outrora estimávamos imenso, agora não passam de vulgares conhecidos de uma outra época, quiçá de uma outra vida.
Em verdade vos digo que aquilo que aparentamos ser não é de todo o que realmente somos. Podemos ter dinheiro, uma boa casa, um bom carro e um bom emprego, todavia, somos à priori indivíduos iguais a todos os outros que por cá andam.
Às vezes temos que chamar à Terra e à razão aqueles que andam em Marte e na ilusão.
É-me bastante difícil entender as pessoas que colocam o dinheiro e os bens materiais, que eventualmente possam ter, à frente de coisas que deveriam ser, obrigatoriamente, muito mais importantes, como os nossos sentimentos, ou até mesmo, a nossa entreajuda.
Há uns dias alguém me disse:
- Ninguém faria aquilo que estás a fazer por “A”, “B” ou “C”. Eles tem uma enorme divida para contigo, nem que seja uma divida de gratidão.
Ao que eu objectei:
- Não, não tem. Aquilo que eu possa ter feito ou faço por “A”, “B” ou “C” é entre mim e Deus, quando chegar à minha hora e tiver a honra de estar perante Ele.
Não quero com isto dizer que sou, como diz o José Mourinho, “the special one”. Nada disso! Simplesmente tenho uma coisa que, hoje em dia, poucas pessoas têm – consciência.

E que assim seja!

19 June, 2008

Verdades


Existem quatro coisas que não se podem recuperar nunca...



  • A pedra... depois de atirada!



  • A palavra... depois de proferida!



  • A ocasião... depois de perdida!



  • O tempo... depois de passado!

Ruínas...

E assim viviam os nossos avós...


Fotos: Casa de Pedra em Ruína na Freguesia de São Mateus

18 June, 2008

Ermida de Nossa Senhora da Conceição - São Mateus





"Até onde perdemos a fé, perdemos a razão."

(G. K. Chesterton)

São Mateus do alto da Gingeira



"Só conseguirá compreender o que é uma propriedade quem lhe tiver sacrificado uma parte de si próprio, quem tiver lutado para a salvar e sofrido para lhe dar beleza."


(Saint-Exupéry)


Vinha sobre Pedra





"Não conheço nada mais sério do que a cultura da vinha."



(Voltaire)

13 June, 2008

A uma Amiga


Aqueles, que eu amei, não sei que vento
Os dispersou no mundo, que os não vejo...
Estendo os braços e nas trevas beijo
Visões que à noite evoca o sentimento...

Outros me causam mais cruel tormento
Que a saudade dos mortos... que eu invejo...
Passam por mim, mas como que têm pejo
Da minha soledade e abatimento!

Daquela Primavera venturosa
Não resta uma flor só, uma só rosa...
Tudo o vento varreu, queimou o gelo!

Tu só foste fiel - tu, como dantes,
Inda volves teus olhos radiantes...
Para ver o meu mal... e escarnecê-lo!

Antero de Quental, In. Sonetos Completos

Estava perdido e apareceu!

Caríssimos Irmãos, algumas pessoas, ultimamente, tem-me perguntado porque deixei de escrever.
Falta de tempo é sem dúvida um dos motivos. Contudo, não é o único.
Pois bem, por vezes a vida torna-se um pouco, para não dizer muito, complicada, às vezes passamos por situações que jamais imaginámos possíveis. Todavia, essas situações acontecem sem nos darmos conta e sem sabermos porquê. Tentamos lidar com elas diariamente, diligenciamos enfrentá-las da melhor forma exequível, mas mesmo assim não vemos, nem por um canudo, resposta para as legitimar.
Quem disse que a vida é fácil?
Pois é, a vida não é nada fácil, até é extraordinariamente difícil, tão difícil que por vezes se torna detestável, porém, lá vamos nós vivendo enquanto Deus consente.
Queridos amigos, eu tenho por hábito viver a minha vida segundo as profecias que Jesus nos ensinou. Quando me deparo com alguma dificuldade pego na minha bíblia (amiga de muitos anos) e analiso minuciosamente uma ou outra parábola que se associe a essa situação, e que me ajude a pelejá-la.
O que fazer?
Ai está. Uma questão que à priori parece simples, mas que até é bastante complicada. Particularmente quando não temos conhecimento de causa e, subsequentemente, não sabemos o que realmente devemos fazer.
É evidente que num momento de desespero rezamos uns terços, pedimos a Deus e aos Santos um milagre, prometemos fazer, em troca de um desejo cumprido, uma infinidade de coisas (na maioria das vezes fazemos promessas absurdas que não conseguimos cumprir por falta de condições financeiras, físicas e psicológicas), mas mesmo assim a coisa não vai lá.
Enfim… ninguém é perfeito, e quem diz que é está longe de o ser!
Uma das parábolas que Jesus nos ensinou, aquando da sua rápida passagem pela Terra, fala-nos de um filho que abandonou o seu pai, que se distanciou daqueles que gostavam dele, decidiu, sabe-se lá porquê, explorar o mundo, e após passar pelo “inferno” concluiu que o melhor para si era retornar a casa. No dia em que regressou, o seu pai vestiu-lhe com as melhores vestimentas, abateu o seu bezerro mais gordo e fez-lhe uma grandiosa festa de boas vindas. Vendo isto, o seu filho mais velho ficou encolerizado porque tinha servido o pai tantos anos, sem nunca o desiludir, e nunca tinha sido agraciado desta forma. Então o pai disse-lhe: “- Meu filho, tu estás sempre comigo e tudo o que eu tenho é teu, mas era preciso fazermos uma festa e alegrarmo-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e apareceu.”
Depois de tantos anos a ouvir e ler esta parábola, somente agora compreendi o seu significado.
Em verdade vos digo que são inúmeras as vezes que temos de amar e auxiliar aqueles que carecem voltar a viver. Mesmo quando não os compreendemos.
Temos que acreditar neles e, sobretudo, ter fé em Deus. Talvez assim valha a pena continuar a lutar.

E que assim seja!

05 June, 2008

A Maior Virtude do Ser Humano!

Um Homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.
"Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Não julgue. Tente apenas compreender.”

Paz Perfeita


Certa vez um rei teve de escolher entre duas pinturas, qual mais representava a paz perfeita. A primeira era um lago muito tranquilo, este lago era um espelho perfeito onde se reflectiam algumas plácidas montanhas que o rodeavam, sobre elas encontrava-se um céu muito azul com nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela reflectia a paz perfeita. Já a segunda pintura também tinha montanhas, mas eram escabrosas e não tinham uma só planta, o céu era escuro, tenebroso e dele saíam faíscas de raios e trovões. Tudo isto não era pacífico. Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás de uma cascata havia um pequeno galho saindo de uma fenda na rocha. Neste galho encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho calmamente sentado no seu ninho. Paz Perfeita. O rei escolheu essa segunda pintura e explicou: "Paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas ou sem dor. Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos e tranquilos no nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz."

Beleza


"Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece."

Autor: Lamartine , Alphonse de

BRUMA DA SAUDADE


A montanha do Pico

Viu-te nascer

E nas ondas do mar

Foste embalada.


Cagarras gritavam

Ao anoitecer.

Envolta em bruma,

A Ilha encantada.


Largos horizontes,

Imensidão de mar,

Agora a saudade

Faz-te voltar.


Marés te levaram,

Marés te trouxeram,

Amor que no cais

Lágrima chorou...


Raios de luz

Por ti lá esperam.

Vindo da terra

O vento soprou.


Nuvens do céu

Lágrimas verteram

E das pedras negras

Para o mar correram.


(Jose M. Raposo)