11 April, 2007

E não chove!


Caro leitor existe sempre qualquer coisa pela qual nos devemos debater.
Ontem à tarde, deitada na minha cama, com a minha menina ao meu lado, tentei descansar por uns instantes, de cabeça encostada à almofada, com os olhos fechados, tentei esquecer onde estava, o que se passa por cá e, principalmente, os absurdos ridículos e despropositados que alguns seres mal intencionados, cínicos e com pouco carácter dizem por aí, na desmesurada tentativa de envenenar a mente e o espírito daqueles que ainda têm alguma consideração por nós.
Enfim…
E não chove! (Expressão que utilizo, em código, variadíssimas vezes para descrever o meu descontentamento com algo ou com alguém).
Realmente deveria chover muito e inúmeras vezes, nem que fosse unicamente para lavar as almas sujas e as mentes malvadas de algumas criaturas que por aí, por ali e por acolá andam.
Estimados amigos, em verdade vos digo que a realidade pode, eventualmente, ser interpretada de variadíssimos formatos, subordinando-se da boa ou má vontade das pessoas que a proclamam.
Todos nós temos a liberdade de falar o que pensamos e sentimos. No entanto, falar abertamente, na franqueza dos nossos sentimentos a respeito de alguma coisa ou de alguém, muitas vezes, pode causar um efeito contrário ao pretendido. A “verdade” que procuramos cultivar como virtude poderá ser classificada como uma atitude de indelicadeza, ou parecer como um terrível acto de má educação no conceito da outra pessoa.
Todos nós temos o direito e o dever de expor os nossos sentimentos sobre um ocasionado acontecimento, porém, isso poderá originar situações pouco saudáveis aos nossos relacionamentos, sobretudo quando a sapiência e o discernimento escassear para reconhecermos “como” e o “melhor momento” de fazê-lo.
Quantas amizades, casamentos e outros géneros de relacionamentos resfriaram em função da lisura aplicada ao modo de falar. Não é da conveniência de ninguém viver encobrindo os seus reais pensamentos e opiniões sobre o que tem sabido dentro da sua camaradagem. No entanto, não nos estão reservados, com exclusivismo, a situação e a conjuntura que acreditamos ser as mais adequadas para se falar.
Demasiadas figuras – ao viverem um acesso de displicência, e lançando mão do “direito” da franqueza – se autorizam a transformar em vocábulos, com pitadas de cólera e desapontamento, as suas impressões. Em outras alturas, expõem um rol de carências sobre aquele que consideram não proceder a seu contento. Nesse ápice, quase que num modo de provocação, consolidam juízos, – não querendo, tão pouco, saber se o que dizem é do interesse de uma vasta e observadora plateia –, e acabam expondo e diminuindo aquele a quem consideram amigo, ou até mesmo irmão.
Quais seriam os procedimentos elementares que deveríamos adoptar quando estamos exercitando a liberdade de expressão?
Falar a verdade, muitas vezes, pode estar alicerçado na inerente urgência de desabafar, de deitar para fora o que nos está incomodando cá dentro.
A verdade, que achamos imprescindível ser declarada, carece – prematuramente –, convencer e não caluniar o nosso próximo, pois, por si só ela já descompõe aquele que confiava estar vivendo rectamente. Se quisermos manifestar a nossa opinião, com o intuito de trazer uma renovada possibilidade de entendimento, de amestrar ou até mesmo de repreender alguém, “a sabedoria de um ancião” deverá controlar o ímpeto de um coração ávido do desejo de reparar o mundo.
Longe de se determinar uma técnica de observância para o melhor momento em que se deve falar a verdade, encontra-se a necessidade de se aprimorar a afectividade para assentar, – também nas palavras –, a prática do amor e da bondade. Isso não desobriga os mais idosos, nem tão-pouco aqueles, que devido ao longo tempo de coexistência, possam ter adquirido a falsa sensação de terem atingido o direito de dizer tudo o que pensam sobre os demais.
Em nome da sinceridade, que consideramos ser justa, podemos aniquilar a possibilidade de ampliar os limites e de aprofundar as nossas experiências de amizade e fraternidade.
Pois é amigos, existem verdades que, e embora sejam sentidas, jamais devem ser proferidas.
E agora perguntam-me vocês:
- “E porquê?”
E a resposta é:
- “Porque magoam.”

E que assim seja!


“A crítica é um imposto que a inveja cobra sobre o mérito.”

(Autor Desconhecido)

2 comments:

Anonymous said...

Vinte e três anos a ser o mau da fita é demasiado tempo! E foi em lugares públicos que os juízos de valor foram sempre feitos... por isso é uma questão da tampa rebentar. Quem não se sente não é filho de boa gente.Mas agora há meios modernos e sofisticados de revelar o necessário, só o necessário...

Sandra Cristina Lopes Amaral said...

Caro Comentador concordo com a mensagem que acima deixou, de facto por vezes o que dizem sobre nós é demasiado e demais. Nesta terra tudo o que se diz, mais cedo ou mais tarde, se sabe.
"Quem tem telhados de vidro não atira pedras", porque estas podem nos cair em cima.