06 February, 2006

Injustiça, em nome da lei

Foto: Estádio Bom Jesus em São Mateus
(Tal como o relvado de piso sintético, está longínquo para ser perceptível)



Actualmente, de todas as fatalidades que desinquietam a Humanidade: conflito, miséria, epidemias, analfabetismo, terrorismo, corrupções e muitas outras malignidades, a que mais dói é a injustiça. Há muitos pareceres discordantes sobre o mote, porque sabe-se muito pouco e aceita-se ainda menos. O que é a injustiça? Onde está? É a que aparece nos códigos e na Filosofia do Direito? Serão justos os nossos juízes? Serão justos os nossos governantes?
Em verdade vos digo que o símbolo da justiça é uma diva que segura uma balança em perfeita harmonia. A igualdade, imobilidade e eternidade são exclusivos de Deus, perpetuamente idêntico a si mesmo; a justiça é sacra. As figuras celestiais que vivem em êxtase constante não experimentam injustiças.
Os entes do reino animal e vegetal que vivem submersos nas leis congénitas tão-pouco conhecem injustiças; o leão que persegue e devora uma zebra não comete nenhuma maleficência, nem nenhum delito; toda a Natureza é imaculada e não está dentro da lei moral dos pares adversos, apesar de muitas vezes ser apavorante.
O ser humano que, graças à dádiva de liberdade que Deus lhe condescendeu desde os primórdios, reside entre o insolente e o inocente, e na procura constante do seu propósito comete iniquidades sobre os seus semelhantes, contra a natureza e contra ele próprio.
A Humanidade aperfeiçoa-se gradualmente, não pelas leis, mas pela efectivação pessoal, na mesura da Ideia Mãe. Veja-se no Livro XXV "Teologia", no Capítulo 13,20: "A liberação do homem, que este deve realizar por si mesmo, não de uma vez, mas por etapas, nascendo, morrendo, reencarnando, passando pelos paraísos, purgatórios e infernos".
Creio que as injustiças são unicamente indulgentes e que as leis que se criaram para corrigi-las são tendenciosas; contudo, considero que todos os indivíduos necessitam de regulamentações para se desenvolverem. Como já referi, a maioria das leis, hoje impostas, é defeituosa e encontra-se aquém da realidade.
Exemplificando, devo confessar que não me conformo com as pequenas arbitrariedades, como a daquele campo, descalço, que apenas carece de um relvado de piso sintético. Se fosse utópico não era tão grande a minha insurreição, porém não é.
E que assim seja!

“No mundo, a tirania e a injustiça começaram por uma coisa infinitamente pequena.”
In. Muslah-Al-Din Saadi, O Jardim das Rosas.

2 comments:

canto_city said...

O desporto tem sido o meio de divulgação do pico e dos açores.
Mas sem condições não se pode fazer mais do que se faz.
A questão do relvado do campo de S. Mateus é tudo politica.

Anonymous said...

tens toda a razão.
o relvado do campo era bom demais para ser verdade.
gosto muito do que escreves sandra.
continua