Caríssimos amigos, já ouviram falar do “Síndroma do Coitadinho”? Pois é... segundo sei, por experiência própria, existe imensa gente nesta situação de misericórdia, pessimismo e revolta. O mais lamentável é que o “coitadinho”, na sua posição de vítima do mundo, acaba por se tornar vítima de si mesmo e da sua inquietação.Há criaturas que não conseguem conviver com as suas próprias limitações e com as suas incapacidades. São cobradoras em excesso, e tendem a culpar tudo e todos pelos seus insucessos, arranjando desculpas esfarrapadas e justificativas para não assumirem a rédea das suas próprias vidas. Fazem questão de se auto rebaixar diante das outras pessoas – “Não faço nada direito”, “Só dou trabalho”, “A minha vida está um balbúrdia”, “Ninguém me entende”, “Não tenho sorte nenhuma” – numa forma inconsciente, ou talvez não, de culpar os outros pela sua desmesurada desgraça.
A "vítima" é aquela pessoa que, através de chantagens emotivas e subtis, coloca todos aqueles que estão à sua volta, quiçá até os próprios pais, compadecidos pela sua enorme dor. E, neste processo, naturalmente, a sua vida vai ficando cada vez pior e mais caótica. Como não descortina o seu próprio potencial e vive revoltado, o “coitadinho” desenvolve uma inveja tremenda aos que são bem sucedidos, distanciando-se cada vez mais das suas realizações. Ele sente-se incapaz de aceitar mudar e reagir – “Eu nasci assim, vou morrer assim” – a não ser que lhe comprem um carrinho.
O mais triste é que o “coitadinho”, com o seu derrotismo, suga todas as energias e o capital, claro, de quem lhe dá atenção e, em pouco tempo, já não há mais nada para os outros.
Em verdade vos digo que é deprimente, inexequível e nada saudável conviver com quem não se valoriza e não assume as suas cabeçadas, as suas escolhas e os seus caminhos.
A única forma da “vítima” sair do fundo desse abismo de emoções doentias é se perdoar pelas suas limitações e escolher aprender com as suas mágoas e crises, colocando-se no comando da sua própria existência. Creio, sinceramente, que é necessário que os “coitadinhos” deste mundo encontrem um sentido para viver, uma auto motivação para mudarem e um incentivo, vindo de dentro, para serem felizes e proporcionarem aos outros uma presença suave, divertida e bem-humorada.
Como diz o escritor Kau Mascarenhas: "Há e sempre haverá uma forma mais doce de viver. O sofrimento, no momento em que é percebido como sofrimento, já está no ponto derradeiro da sua função e precisa ser substituído por uma outra semente. Agradeça às lágrimas do passado e diga-lhes adeus. O momento agora é de focalizar os sorrisos do futuro. Há e sempre haverá uma forma mais doce de viver."
E que assim seja!














