“Onde nos sentimos bem, é aí a nossa pátria.”
(Aristófanes)
Nota: Esteticamente a obra em cimento não combina com o negro das calejadas pedras e o verde das sumptuosas vinhas.
Tenho dito!
"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota." (Madre Teresa de Calcuta)

ORAÇÃO AO SENHOR BOM JESUS MILAGROSO
"Adorável Bom Jesus,
que derramastes o Vosso sangue para nos salvar:
estendei o Vosso olhar de misericórdia
sobre o povo que Vos reconhece como Senhor.
Ouvi as súplicas que Vos dirigimos
e socorrei-nos em nossas necessidades.
Vós, que sois a luz do mundo,
aumentai a nossa fé
para sempre nos guiarmos pela lei de Deus.
E concedei-nos uma ardente caridade
para amar os nossos semelhantes.
Abençoai as nossas famílias:
tornai-as piedosas, unidas e fecundas.
E fazei que nelas despertem vocações de consagração
ao Vosso serviço.
Atraí os jovens ao Vosso amor
para singrarem na vida alegres, puros e generosos.
Velai pelas criancinhas, pelos idosos
e pelos emigrantes que longe trabalham.
Atendei, benigno, todos os que a Vós recorrem:
dai perdão aos pecadores,
pão aos que o não têm,
coragem aos doentes e aflitos,
e aos moribundos a esperança da vida eterna.
Ámen."
( Aurélio, Bispo de Angra)

Há já algum tempo que venho meditando sobre esta extraordinária teoria que imediatamente vos exponho. Convém salientar que isto não é uma ideia qualquer que “sai da boca para fora”; pelo contrário, fundamentei-me numa investigação que eu própria efectuei, testemunhando os excepcionais episódios (idênticos aos das novelas venezuelanas) “ao vivo e a cores”...
É ponto assente que nos cafés se presencia as mais risíveis cenas de uma vida em sociedade. Pois venho falar-vos de um tema muito em voga nos cafés onde não se paga mais nada pelo dito (logicamente que numa loja Versalhes, a probabilidade, se existir de todo, de se escutarem diálogos destes é muito reduzida...): o futebol.
Já algum tempo que fui “obrigada” a deixar de beber café, todavia, isso jamais me impediu de continuar a frequentar alguns Cafés, após o almoço ou o jantar, nem que seja para beber um sumo ou deliciar-me com um apetitoso gelado de chocolate, preferencialmente. Pois bem, caso não saibam, é nessas alturas que o tuga médio/baixo bebe o seu café enquanto se queixa do seu trabalho, na maioria das vezes por idealizar que trabalha muito e recebe pouco. Ora que outro tema de conversa pode surgir entre os clientes senão a bola?
Surpreendentemente, apesar da controvérsia que sempre acompanha o desporto, a maioria dos clientes parece chegar sempre, ou quase sempre, a um entendimento. Logo quando o que se queria era pancadaria com colheres, chávenas e pacotes de açúcar a voar...
No entanto, o processo pelo qual se chega ao referido entendimento diversifica de situação para situação. Assim sendo, apresento-vos os três mais comuns.
1 - Entendimento por concordância. Este é o mais raro, uma vez que é incrivelmente difícil encontrar vários clientes, num determinado estabelecimento, sendo a sua totalidade adeptos do mesmo clube. Apesar de tudo, verifica-se. Partilhando da mesma felicidade ou abatimento, todos falam sempre no mesmo sentido, acabando por criar uma enorme amizade de ocasião.
2 – Entendimento por simpatia. Este desenvolve-se habitualmente no sentido cliente – cliente ou amigo – amigo (ambos moradores na mesma povoação). Dado que uma conversa sobre futebol desponta sempre que um dos intervenientes mencione uma ou outra injustiça, ou um ou outro lance duvidoso e, quando tal acontece, o outro, apesar de secretamente dar bramidos e gritos de alegria pelo sucedido, expressa a sua simpatia para com o primeiro, referindo que “para a próxima vai correr melhor”, ou que “de facto, eu próprio não tenho bem a certeza” (batendo simultaneamente três vezes, com a mão fechada, num qualquer objecto de madeira....).
3 – Entendimento por não dar resposta. Pessoalmente este é o meu favorito. Tive azo de presenciar umas quantas situações deste calibre e corroboro que servem, posteriormente, de combustível para uns bons minutos de gargalhadas... Exemplificando: cliente entra no café e, inevitavelmente, levanta a pestana para se inteirar de quem está presente no dito local. E, após uns segundos, para afiar bem a ponta da língua, claro, lança a bomba…
“Com que então o Boavista agora deu para encher o papo... é para compensar as exibições de tanga que tem feito… aquele treinador não tem visão nenhuma… e o adjunto ainda é pior… olha que não fazem substituição nenhuma de jeito… sim, mas do mal o menos… não estamos em primeiro, mas estamos em segundo... que é que se pode fazer?” E assim continua a infamante palestra de um eloquente adepto, quiçá ex-jogador do clube, indignado com os jogos do seu clube de alma e coração, chegando curiosamente a uma percepção final e, indo embora, pouco depois, feliz por ter encontrado uma plateia atenciosa que entendeu as suas preocupações futebolísticas, ou pelo menos achou melhor não dar resposta.
A título de conclusão, receio que estas teorias só se verificam cá, na nossa bonita e apaziguadora localidade. Se por acaso um dos intervenientes tem a infeliz ideia de discordar da opinião do “levanta a pestana”, aí não há entendimento exequível, seguindo-se um chavascal de obscenidades e ofensas cambiadas...
Enfim, é o futebol. Move multidões, põe-as à pancada, incita à leitura (veja-se a saída de jornais como A Bola, O Jogo ou o Record), promove matança de vacas para comes e bebes tradicionais como as sopas do Espírito Santo para os adeptos do Benfica, dá dinheiro a toda a gente (até aos árbitros) e, mais que tudo, serve de conversa de café....
