27 August, 2006

Rua da Pontinha - São Mateus

Foto: Tina Goulart

“Onde nos sentimos bem, é aí a nossa pátria.”

(Aristófanes)

Nota: Esteticamente a obra em cimento não combina com o negro das calejadas pedras e o verde das sumptuosas vinhas.

Tenho dito!

Canto do Arco - São Mateus

Foto: Tina Goulart

"O natural também é uma pose."
Oscar Wilde, In. O Retrato de Dorian Gray

24 August, 2006

A VIDA...


"A vida é uma oportunidade, aproveita-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é beatificação, saboreei-a.
A vida é sonho, torna-o realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida-a.
A vida é riqueza, conserva-a.
A vida é amor, goza-a.
A vida é um mistério, desvela-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, supera-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é um combate, aceita-o.
A vida é tragédia, domina-a.
A vida é aventura, afronta-a.
A vida é felicidade, merece-a.
A vida é a VIDA, defende-a."

(Madre Teresa de Calcutá)

11 August, 2006

Facadas em São Mateus

Ontem, dia 10 de Agosto, entre as 20 horas e as 21 horas (não posso precisar a hora pois não estava presente), ocorreu uma situação observada inúmeras vezes em películas Hollywoodescas, mas insólita na nossa plácida povoação de São Mateus.
Segundo uma fonte local, não é que o Sr. José, mais conhecido por “São Miguel”, residente há alguns anos no lugar da Ginjeira, atemorizou, ameaçou e concretizou uma cena de violência explícita contra o efectivo administrador do café Arco-Íris, chegando mesmo a esfaquear a esposa deste no braço esquerdo. Todavia, o golpe que dilacerava abundantemente foi, posteriormente, estagnado no Centro de Saúde da Madalena.
Segundo essa mesma fonte anónima, a vítima levou cerca de 4 pontos e encontra-se desmesuradamente debilitada, não só fisicamente como também psicologicamente, já que não é todos os dias que uma pessoa é ameaçada de morte por um fulano tresloucado.
Devo ainda acrescentar que o “São Miguel” danificou grande parte do dito café, destruindo tudo o que encontrava defronte a si (vitrinas, cinzeiros, mesas, cadeiras, …,).
A Policia de Segurança Pública foi chamada ao local e capturou o selvagem e a arma do crime, contudo, pouco tempo depois, e pelo motivo de não ter presenciado o delito, foi compelida a deixá-lo em liberdade.
Como é possível que um sujeito destes continue em liberdade após ter cometido um crime gravíssimo?
Será que ainda teremos que presenciar mais situações deste calibre para que depois se faça algo contra este tipo de situações e, principalmente, contra este tipo de pessoas?

E que assim seja!

07 August, 2006

ECCE HOMO - ESTE É O HOMEM

Foto: Tina Goulart

ORAÇÃO AO SENHOR BOM JESUS MILAGROSO

"Adorável Bom Jesus,
que derramastes o Vosso sangue para nos salvar:
estendei o Vosso olhar de misericórdia
sobre o povo que Vos reconhece como Senhor.

Ouvi as súplicas que Vos dirigimos
e socorrei-nos em nossas necessidades.

Vós, que sois a luz do mundo,
aumentai a nossa fé
para sempre nos guiarmos pela lei de Deus.

E concedei-nos uma ardente caridade
para amar os nossos semelhantes.

Abençoai as nossas famílias:
tornai-as piedosas, unidas e fecundas.

E fazei que nelas despertem vocações de consagração
ao Vosso serviço.

Atraí os jovens ao Vosso amor
para singrarem na vida alegres, puros e generosos.

Velai pelas criancinhas, pelos idosos
e pelos emigrantes que longe trabalham.

Atendei, benigno, todos os que a Vós recorrem:
dai perdão aos pecadores,
pão aos que o não têm,
coragem aos doentes e aflitos,
e aos moribundos a esperança da vida eterna.

Ámen."


( Aurélio, Bispo de Angra)

Festa do Bom Jesus VI


Foto: Tina Goulart

Festa do Bom Jesus V


Foto: Tina Goulart

Festa do Bom Jesus IV

Foto: Tina Goulart

Festa do Bom Jesus III

Foto: Tina Goulart

Festa do Bom Jesus II


Foto: Tina Goulart

Festa do Bom Jesus I


Foto: Tina Goulart

06 August, 2006

Pedido de Desculpa

Por motivos de ordem particular ausentei-me, durante a última semana, da minha bela ilha do Pico. Derivado a esse desventurado episódio fui impedida de divulgar alguns comentários que, entretanto, foram expostos no meu blog. Peço, encarecidamente, a minha absolvição a todos os meus estimados leitores e, subsequentemente, comentadores.

Tenho dito!

31 July, 2006

Esperança

"Cada criatura, ao nascer, traz-nos a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança nos homens."
(Rabindranath Tagore, Dramaturgo, Poeta e Filósofo indiano)

26 July, 2006

Maria Madalena - 1, Bom Jesus - 0


Anonymous said...

SANTA MARIA MADALENA
AS BOAS VINDAS DE UM PROGRAMA
...........................................................................................

"Distracção ou outras coisas mais?
Ao abrirmos o livrinho de programação das festas de Santa Maria Madalena, espanto geral! Espanto total! Espanto... muito espanto. Umas boas vindas que até fazem o diabo virar anjo. Anjo que guarda a ignorância de alguém. Foi forte. Expressão forte. Mas é o diabo que as tem. E o diabo não guarda a ignorância de ninguém.
A páginas 7 (sete) diz-se:"- As maiores festas do concelho da Madalena, quer a nível religioso, quer a nível sócio cultural, sem sombra de dúvida (...)".
Sem sombra de dúvida, dúvida metódica, hiperbólica, ninguém pensou na afirmação feita; sem dúvida alguma, se alguém a pensar, nunca mais haverá repetição. Afronta qualquer picoense. Afronta qualquer memória. Afronta qualquer cidadão da comunidade que representa.
As festas de Santa Maria Madalena são, sem qualquer dúvida, umas grandes festas. Disso estamos orgulhosos! São, sem qualquer receio de o dizer, orgulho da comunidade madalenense.
E as festas do Senhor Bom Jesus Milagroso?
Esqueceram-se que a nível regional são consideradas as segundas maiores festas religiosas?
Sem sombra de dúvida ... Sem sombra de dúvida... Sem sombra de dúvida... (Três vezes, porque não há tempo para mais.)
Alguém em memória o deveria ter. Alguém deveria ter lembrado, se quem escreveu por si só não se lembra, que as boas vindas de um programa são para se ler. Ler com verdade. Com a verdade representativa de um Concelho - o Concelho da Madalena.
As boas vindas de um programa devem representar a qualidade daquilo que queremos apregoar. Francamente!!!
O programa sofre-se, as boas vindas são péssimas. Se "O sucesso das festas depende de todos nós", como é dito, incluam-se no "nós" e assim: não esqueceriam ninguém, não irritariam ninguém, não... não... não... não... não... não... não... não... não... não... não... não...
Se assim não for, por favor, não precisamos de boas vindas.
Que não sejam dadas boas vindas destas a ninguém.
Que o cargo da autora seja o atendimento à campainha de sua casa!!!"

25 July, 2006

Posição Radical



... "Ainda a acrescentar que alguns apoios que nos foram prometidos para a freguesia, nomeadamente para a construção de uma Zona Balnear tardam em chegar o que pode levar a uma tomada de posição mais radical nomeadamente a nossa demissão." ...
In. Boletim Informativo N.º 3 de Julho de 2006 da Junta de Freguesia de São Mateus

21 July, 2006

06 July, 2006

Festa Santa Maria Madalena

Machismo a tremer, Mulher a crescer...

Um conceito delicado, este de machismo usado neste texto.
Machismo é um sentimento que gosto de definir como o de mandar nas emoções da pessoa que se penetra, seja física ou idealmente. Com o corpo ou com as ideias. Sentimento de dominação do espaço social e dos afazeres. Sentimento necessário, como o etnocentrismo, de pensar que os homens são os melhores, os que mais sabem, os que entendem o contexto e o definem.
O Machismo é um conceito aplicável a todas as idades e a todas as relações entre seres humanos. Quando há um que diz e manda e ao outro compete ver, ouvir e calar, no fundo ser mandado.
O machismo que treme, porém, não é o masculino do homem. É o masculino da economia que nos vê agir e nos manda comportar.
Os homens, habituados à forma patriarcal do comportamento social, ficam perdidos. Bem gostam de ser gentis e sedutores, oferecerem flores e carícias, de visitarem, convidarem, apalparem...
A resistência é dura. A sedução é um comportamento distribuído de forma igual entre as criaturas. Num texto como este ou noutros análogos que tenho documentado, até é problemático diferenciar entre homem e mulher. Entre heterossexual, homossexual, bissexual, andrógino e outras nomenclaturas comparáveis.
Durante o ano transacto e este ano, inúmeras nações foram aquelas que homologaram a lei do matrimónio entre figuras do mesmo sexo, lei justa e largamente esperada por tantas e tantas pessoas – o machismo deixou de ser a prerrogativa dum sexo para passar a ser um conceito susceptível de ser sobreposto a todos os que, na afinidade emotiva, capitaneiam sem poderio e com pujança subversora.
Este é o machismo que conduziu muitos homens a perderem as mulheres das suas vidas, particularmente por não terem compreendido que a mulher a quem cognominavam de companheira merecia ter toda a liberdade efectiva, possível e imaginária.
Em verdade vos digo que qualquer mulher deixa de ser companheira quando sente que a sua liberdade está a ser suprimida por alguém que não a entende, que a limita, que a enclaustra e que a abandona desamparadamente em casa.
O machismo está a tremer e a mulher a crescer. Sim senhor, a mulher está a crescer desde o instante que começou a perceber que o lar e os pirralhos não conseguiam ser suportados somente com o trabalho ou contribuição financeira de um dos membros da família: copiosamente o masculino. O masculino mais adulto, o masculino mais velho.
Aristóteles, ilustre filósofo, nascido em 384 a. C., em Estagira, cidade grega da costa de Trácia, próxima de Pela, capital da Macedónia, entendia que todo o ser penetrado não tinha direito a voz, fosse masculino ou feminino.
A mulher, esse ser, destinado à penetração de forma concebida pela fisiologia que nos governa, tem continuado a subsistir relegada ao império doméstico. Quer nos factos, quer no pensamento social. Prova é, não apenas o quotidiano das pessoas no Ocidente, bem como as estatísticas que nos confrontam e nos dizem quantas mulheres ocupam lugares de destaque e de relevo nas mais diversas áreas da nossa sociedade, como por exemplo Presidente República, Primeiro-ministro, Presidente de Bancos, Reitoras da Universidade, Directoras de Hospitais, Presidentes de um Clube de Futebol (inacreditavelmente em São Mateus temos uma, pelo menos por enquanto, embora sejam muitos aqueles que não a querem com esse cargo ou denominação social, fazendo e dizendo de tudo para a deitar abaixo. Sendo mulher e achando que tendo uma mulher a ocupar tão soberbo cargo é uma mais valia para todas nós, hoje aclamo entusiasmadamente e orgulhosamente a nossa Conceição) …
Caríssimos leitores, se voltarmos um pouco atrás na história universal, deparamos com Madame Marie Curie, nome assumido após o casamento por Maria Skłodowska, nascida em Varsóvia a 7 de Novembro de 1867, e falecida em Sallanches a 4 de Julho de 1934, foi uma cientista francesa de origem polaca. Descobriu um importante elemento químico – rádio –, tendo sido laureada com o Prémio Nobel de Física em 1903 pelas suas descobertas no campo da radioactividade (naquela altura era um fenómeno pouco conhecido), vestida de homem para assistir à Universidade e a perder o seu nome pelo casamento. Encontramos também vastíssimas mulheres a lutarem pela igualdade com o homem, a começar pelas que reclamavam o direito ao voto. Mulheres a invocarem a declaração de princípios da Independência dos U.S.A, escrita por Benjamim Franklin em 1775: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais.”
Neste momento e depois de ter passado muitas noites acordada a pesquisar na idealização deste despretensioso texto, creio que finalmente e após tantos anos de luta e após tanto sangue derramado por demasiadas heróicas e valentes mulheres, o sentimento social mudou e nós, adultos de hoje, criados na infância de ontem, não sabemos qual o modelo para nos orientarmos ou para darmos apoio à geração seguinte, essa que nos consulta numa busca determinante de conselho.
E qual é o conselho que podemos dar? Será preciso reler Tomás de Aquino, Adam Smith, Milton Friedman? Autores por tantos ignorados e, no entanto, por muitos praticados.
E que assim seja!

20 June, 2006

És “bom menino” ou “boa menina”?

Lidar com gente pode ser uma tarefa muito difícil para inúmeras pessoas. Muitos são aqueles que passam por esta aflição várias vezes ao dia. E embora seja, ostentosamente, uma operação complexa, não é de todo nenhum bicho-de-sete-cabeças.
Claro que para muitos seria muito mais condescendente ter uma actividade profissional dentro de um acanhado gabinete cercado de voluptuosas e pigmentadas paredes, porém, às vezes isso não é possível e, assim sendo, temos que adquirir e desenvolver as idoneidades necessárias para lidar com pessoas de comportamentos distintos.
Em verdade vos digo que é impossível agradar a todos, contudo, tentar não custa e a partir daí as coisas serão menos tenebrosas.
Entrar numa loja ou num qualquer serviço público e ficar à espera, mais de cinco minutos, para ser atendido pelo funcionário, quando este está a conversar com o colega do lado, ou está falando ao telemóvel, ou está a ler uma determinada revista (Nova Gente, Maria, Ana, VIP, …), é por vezes incomodativo e irritante. E mais irritante se torna quando ao se aproximarem nos concedem um tratamento que é, no mínimo, pouco polido: rigidez ao falar, olhares inflexíveis e, sobretudo, falta de regozijo para mostrar e aclarar tudo o que almejamos saber.
Quem nunca passou por uma situação como esta?
O mau atendimento existe em todos os níveis e em todas as actividades profissionais, todavia, creio que na nossa ilha estas situações são praticamente imperceptíveis.
No entanto, praticamente todos os dias, escuto comentários de criaturas que dizem ter sido mal atendidas em determinado local. Sinceramente, comigo isso nunca aconteceu, sempre fui notavelmente e brilhantemente bem atendida em todo o lado; no Centro de Saúde pelos Médicos/as, Enfermeiros/as e todos os demais Funcionários/as; nos Serviços Agrários por todos os Funcionários/as; no Registo Civil; nas Finanças; na Câmara Municipal; na Junta de Freguesia; na Segurança Social; na Casa do Povo; nas Escolas; nos Postos de Combustível; nos CTT; nos Bancos; …
Será que sou a única?
Julgo que os princípios do bom atendimento são muito simples de serem entendidos e, quando os dissecamos com maior tento, fica até difícil entender as razões pelas quais as pessoas se afastam deles. Educação, bom humor e prestabilidade. Tudo aquilo que faz de uma criatura um “bom menino” ou uma “boa menina”, e paixão pelo trabalho: há que se ter vontade de fazer aquilo que se faz. Aqueles que vêem o trabalho como um sacrifício ou um tormento acabam prestando um péssimo atendimento ao público que os solicita.
Quem lida com o público, independentemente do sector ou da função, não tem o direito de ser mal-humorado, de mostrar má cara, nem tão pouco de ser mal-educado com nenhuma pessoa, independentemente da sua cor, raça, idade, estudo, preferência sexual, condição social, ou até mesmo da sua conta bancária. Um Agricultor ou uma Funcionária da Cofaco (Empresa de Conserva de Peixe, situada na nossa Madalena) têm o mesmo direito de serem excepcionalmente bem atendidos em qualquer departamento público, ou outro, como um Professor, um Engenheiro ou, quiçá, um Presidente da Câmara.
Mas, será que o são?
Acima de tudo, qualquer funcionário jamais se pode esquecer que numa hora ou noutra serão eles a necessitar de ser atendidos.
E nesse momento, como vão querer ser atendidos?
E que assim seja!
"A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma."
(John Ruskin)

16 June, 2006

Vai um “café” com Bola?...

Há já algum tempo que venho meditando sobre esta extraordinária teoria que imediatamente vos exponho. Convém salientar que isto não é uma ideia qualquer que “sai da boca para fora”; pelo contrário, fundamentei-me numa investigação que eu própria efectuei, testemunhando os excepcionais episódios (idênticos aos das novelas venezuelanas) “ao vivo e a cores”...

É ponto assente que nos cafés se presencia as mais risíveis cenas de uma vida em sociedade. Pois venho falar-vos de um tema muito em voga nos cafés onde não se paga mais nada pelo dito (logicamente que numa loja Versalhes, a probabilidade, se existir de todo, de se escutarem diálogos destes é muito reduzida...): o futebol.

Já algum tempo que fui “obrigada” a deixar de beber café, todavia, isso jamais me impediu de continuar a frequentar alguns Cafés, após o almoço ou o jantar, nem que seja para beber um sumo ou deliciar-me com um apetitoso gelado de chocolate, preferencialmente. Pois bem, caso não saibam, é nessas alturas que o tuga médio/baixo bebe o seu café enquanto se queixa do seu trabalho, na maioria das vezes por idealizar que trabalha muito e recebe pouco. Ora que outro tema de conversa pode surgir entre os clientes senão a bola?

Surpreendentemente, apesar da controvérsia que sempre acompanha o desporto, a maioria dos clientes parece chegar sempre, ou quase sempre, a um entendimento. Logo quando o que se queria era pancadaria com colheres, chávenas e pacotes de açúcar a voar...

No entanto, o processo pelo qual se chega ao referido entendimento diversifica de situação para situação. Assim sendo, apresento-vos os três mais comuns.

1 - Entendimento por concordância. Este é o mais raro, uma vez que é incrivelmente difícil encontrar vários clientes, num determinado estabelecimento, sendo a sua totalidade adeptos do mesmo clube. Apesar de tudo, verifica-se. Partilhando da mesma felicidade ou abatimento, todos falam sempre no mesmo sentido, acabando por criar uma enorme amizade de ocasião.

2 – Entendimento por simpatia. Este desenvolve-se habitualmente no sentido cliente – cliente ou amigo – amigo (ambos moradores na mesma povoação). Dado que uma conversa sobre futebol desponta sempre que um dos intervenientes mencione uma ou outra injustiça, ou um ou outro lance duvidoso e, quando tal acontece, o outro, apesar de secretamente dar bramidos e gritos de alegria pelo sucedido, expressa a sua simpatia para com o primeiro, referindo que “para a próxima vai correr melhor”, ou que “de facto, eu próprio não tenho bem a certeza” (batendo simultaneamente três vezes, com a mão fechada, num qualquer objecto de madeira....).

3 – Entendimento por não dar resposta. Pessoalmente este é o meu favorito. Tive azo de presenciar umas quantas situações deste calibre e corroboro que servem, posteriormente, de combustível para uns bons minutos de gargalhadas... Exemplificando: cliente entra no café e, inevitavelmente, levanta a pestana para se inteirar de quem está presente no dito local. E, após uns segundos, para afiar bem a ponta da língua, claro, lança a bomba…
“Com que então o Boavista agora deu para encher o papo... é para compensar as exibições de tanga que tem feito… aquele treinador não tem visão nenhuma… e o adjunto ainda é pior… olha que não fazem substituição nenhuma de jeito… sim, mas do mal o menos… não estamos em primeiro, mas estamos em segundo... que é que se pode fazer?” E assim continua a infamante palestra de um eloquente adepto, quiçá ex-jogador do clube, indignado com os jogos do seu clube de alma e coração, chegando curiosamente a uma percepção final e, indo embora, pouco depois, feliz por ter encontrado uma plateia atenciosa que entendeu as suas preocupações futebolísticas, ou pelo menos achou melhor não dar resposta.

A título de conclusão, receio que estas teorias só se verificam cá, na nossa bonita e apaziguadora localidade. Se por acaso um dos intervenientes tem a infeliz ideia de discordar da opinião do “levanta a pestana”, aí não há entendimento exequível, seguindo-se um chavascal de obscenidades e ofensas cambiadas...
Enfim, é o futebol. Move multidões, põe-as à pancada, incita à leitura (veja-se a saída de jornais como A Bola, O Jogo ou o Record), promove matança de vacas para comes e bebes tradicionais como as sopas do Espírito Santo para os adeptos do Benfica, dá dinheiro a toda a gente (até aos árbitros) e, mais que tudo, serve de conversa de café....

12 June, 2006

Esperança


"A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora."

(Georges Bernanos)

06 June, 2006

Candelária B Conquista o Regional


O Candelária B venceu o União Micaelense B e ergueu o troféu que lhe dá acesso à III Divisão Nacional de Hóquei.

Após três dias de competição para encontrar o Campeão Regional de Hóquei em Patins, no transacto dia 5, pelas 11 horas, jogou-se no pavilhão da Escola Cardeal Costa Nunes a grande final do campeonato que opunha as equipas do Candelária B e do União Micaelense B.
Para o União Micaelense bastava o empate para se sagrar campeão, mas ao Candelária só interessava a vitória. Assim sendo o Candelária lutou até ao fim por este objectivo e conseguiu-o nos instantes finais da partida.
A equipa picarota venceu o União Micaelense B por quatro bolas a três, ganhando assim a passagem para a III Divisão Nacional de Hóquei em Patins.

Classificação
1º Candelária B........................... 9 pontos
2º União Micaelense B................... 9 pontos
3º Lusitânia................................ 0 pontos

In. http://www.picoazores.com/
Fonte: http://www.radiopico.com/

01 June, 2006

Deixai vir a Mim as criancinhas!

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Criança. Um relatório da agência do Vaticano revela que há 860 milhões de crianças a sofrer em todo o Mundo. A fome, a SIDA e o tráfico humano são as principais ameaças.
Creio que todos nós deveríamos tentar proporcionar um mundo melhor para as crianças, um mundo que fosse constituído, sobretudo, nos princípios da democracia, da igualdade, da não discriminação, da paz e da justiça social. Um mundo em que as crianças não fossem consequentemente abandonadas.
Em verdade vos digo que, como mãe, não compreendo como é possível a uma mãe e a um pai abandonar o seu próprio filho. Todavia, actualmente esse acto é praticado na nossa ilha como se fosse o “pão-nosso de cada dia”. Os pais que têm filhos indesejados ou não querem usufruir mais dessa responsabilidade, simplesmente largam-nos à porta do Centro de Acolhimento da freguesia da Candelária (Obra Social Madre Maria Clara).
Como é possível?
Como é exequível que haja criaturas neste universo capazes de tamanha barbaridade e crueldade, capazes de maltratar, abandonar e desprezar uma criança que carregaram dentro de si durante dilatados e extensos meses.
Não sei. Sinceramente não sei.
Caríssimos leitores, as crianças são o nosso futuro, pois sem elas um dia o digno planeta Terra deixará de existir e a vida, tal a qual a conhecemos, desaparecerá.
Não será esta uma boa causa para protegermos os nossos meninos e meninas e para jamais deixarmos que alguma terrível desgraça lhes suceda.
São imensas as pessoas que se auto proclamam católicas, porém, são pouquíssimas aquelas que executam os ensinamentos Bíblicos, uma vez que a Bíblia (símbolo da Religião Católica) defende que Jesus, como Mestre da Verdade Divina, manifestou um afecto extraordinário pelas crianças, dizendo aos Apóstolos “deixai vir a Mim as criancinhas, não as afasteis, pois a elas pertence o Reino de Deus”. (Mc 10, 14)
Finalizando, tenho que vos deixar com um dos meus mais profundos e inquietantes pensamentos. É extraordinário que o Vaticano refira que existem milhões de crianças a sofrer com fome, …, uma vez que a avantajada riqueza que o clero possui resolveria esse enorme infortúnio do mundo contemporâneo.
E que assim seja!