21 July, 2006

O Grande Maria Pequena

Foto: Sandra Lopes Amaral

A "Horta" do Pico

Foto: Sandra Lopes Amaral

Freguesia de São Mateus

Foto: Sandra Lopes Amaral

06 July, 2006

Festa Santa Maria Madalena

Machismo a tremer, Mulher a crescer...

Um conceito delicado, este de machismo usado neste texto.
Machismo é um sentimento que gosto de definir como o de mandar nas emoções da pessoa que se penetra, seja física ou idealmente. Com o corpo ou com as ideias. Sentimento de dominação do espaço social e dos afazeres. Sentimento necessário, como o etnocentrismo, de pensar que os homens são os melhores, os que mais sabem, os que entendem o contexto e o definem.
O Machismo é um conceito aplicável a todas as idades e a todas as relações entre seres humanos. Quando há um que diz e manda e ao outro compete ver, ouvir e calar, no fundo ser mandado.
O machismo que treme, porém, não é o masculino do homem. É o masculino da economia que nos vê agir e nos manda comportar.
Os homens, habituados à forma patriarcal do comportamento social, ficam perdidos. Bem gostam de ser gentis e sedutores, oferecerem flores e carícias, de visitarem, convidarem, apalparem...
A resistência é dura. A sedução é um comportamento distribuído de forma igual entre as criaturas. Num texto como este ou noutros análogos que tenho documentado, até é problemático diferenciar entre homem e mulher. Entre heterossexual, homossexual, bissexual, andrógino e outras nomenclaturas comparáveis.
Durante o ano transacto e este ano, inúmeras nações foram aquelas que homologaram a lei do matrimónio entre figuras do mesmo sexo, lei justa e largamente esperada por tantas e tantas pessoas – o machismo deixou de ser a prerrogativa dum sexo para passar a ser um conceito susceptível de ser sobreposto a todos os que, na afinidade emotiva, capitaneiam sem poderio e com pujança subversora.
Este é o machismo que conduziu muitos homens a perderem as mulheres das suas vidas, particularmente por não terem compreendido que a mulher a quem cognominavam de companheira merecia ter toda a liberdade efectiva, possível e imaginária.
Em verdade vos digo que qualquer mulher deixa de ser companheira quando sente que a sua liberdade está a ser suprimida por alguém que não a entende, que a limita, que a enclaustra e que a abandona desamparadamente em casa.
O machismo está a tremer e a mulher a crescer. Sim senhor, a mulher está a crescer desde o instante que começou a perceber que o lar e os pirralhos não conseguiam ser suportados somente com o trabalho ou contribuição financeira de um dos membros da família: copiosamente o masculino. O masculino mais adulto, o masculino mais velho.
Aristóteles, ilustre filósofo, nascido em 384 a. C., em Estagira, cidade grega da costa de Trácia, próxima de Pela, capital da Macedónia, entendia que todo o ser penetrado não tinha direito a voz, fosse masculino ou feminino.
A mulher, esse ser, destinado à penetração de forma concebida pela fisiologia que nos governa, tem continuado a subsistir relegada ao império doméstico. Quer nos factos, quer no pensamento social. Prova é, não apenas o quotidiano das pessoas no Ocidente, bem como as estatísticas que nos confrontam e nos dizem quantas mulheres ocupam lugares de destaque e de relevo nas mais diversas áreas da nossa sociedade, como por exemplo Presidente República, Primeiro-ministro, Presidente de Bancos, Reitoras da Universidade, Directoras de Hospitais, Presidentes de um Clube de Futebol (inacreditavelmente em São Mateus temos uma, pelo menos por enquanto, embora sejam muitos aqueles que não a querem com esse cargo ou denominação social, fazendo e dizendo de tudo para a deitar abaixo. Sendo mulher e achando que tendo uma mulher a ocupar tão soberbo cargo é uma mais valia para todas nós, hoje aclamo entusiasmadamente e orgulhosamente a nossa Conceição) …
Caríssimos leitores, se voltarmos um pouco atrás na história universal, deparamos com Madame Marie Curie, nome assumido após o casamento por Maria Skłodowska, nascida em Varsóvia a 7 de Novembro de 1867, e falecida em Sallanches a 4 de Julho de 1934, foi uma cientista francesa de origem polaca. Descobriu um importante elemento químico – rádio –, tendo sido laureada com o Prémio Nobel de Física em 1903 pelas suas descobertas no campo da radioactividade (naquela altura era um fenómeno pouco conhecido), vestida de homem para assistir à Universidade e a perder o seu nome pelo casamento. Encontramos também vastíssimas mulheres a lutarem pela igualdade com o homem, a começar pelas que reclamavam o direito ao voto. Mulheres a invocarem a declaração de princípios da Independência dos U.S.A, escrita por Benjamim Franklin em 1775: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais.”
Neste momento e depois de ter passado muitas noites acordada a pesquisar na idealização deste despretensioso texto, creio que finalmente e após tantos anos de luta e após tanto sangue derramado por demasiadas heróicas e valentes mulheres, o sentimento social mudou e nós, adultos de hoje, criados na infância de ontem, não sabemos qual o modelo para nos orientarmos ou para darmos apoio à geração seguinte, essa que nos consulta numa busca determinante de conselho.
E qual é o conselho que podemos dar? Será preciso reler Tomás de Aquino, Adam Smith, Milton Friedman? Autores por tantos ignorados e, no entanto, por muitos praticados.
E que assim seja!

20 June, 2006

És “bom menino” ou “boa menina”?

Lidar com gente pode ser uma tarefa muito difícil para inúmeras pessoas. Muitos são aqueles que passam por esta aflição várias vezes ao dia. E embora seja, ostentosamente, uma operação complexa, não é de todo nenhum bicho-de-sete-cabeças.
Claro que para muitos seria muito mais condescendente ter uma actividade profissional dentro de um acanhado gabinete cercado de voluptuosas e pigmentadas paredes, porém, às vezes isso não é possível e, assim sendo, temos que adquirir e desenvolver as idoneidades necessárias para lidar com pessoas de comportamentos distintos.
Em verdade vos digo que é impossível agradar a todos, contudo, tentar não custa e a partir daí as coisas serão menos tenebrosas.
Entrar numa loja ou num qualquer serviço público e ficar à espera, mais de cinco minutos, para ser atendido pelo funcionário, quando este está a conversar com o colega do lado, ou está falando ao telemóvel, ou está a ler uma determinada revista (Nova Gente, Maria, Ana, VIP, …), é por vezes incomodativo e irritante. E mais irritante se torna quando ao se aproximarem nos concedem um tratamento que é, no mínimo, pouco polido: rigidez ao falar, olhares inflexíveis e, sobretudo, falta de regozijo para mostrar e aclarar tudo o que almejamos saber.
Quem nunca passou por uma situação como esta?
O mau atendimento existe em todos os níveis e em todas as actividades profissionais, todavia, creio que na nossa ilha estas situações são praticamente imperceptíveis.
No entanto, praticamente todos os dias, escuto comentários de criaturas que dizem ter sido mal atendidas em determinado local. Sinceramente, comigo isso nunca aconteceu, sempre fui notavelmente e brilhantemente bem atendida em todo o lado; no Centro de Saúde pelos Médicos/as, Enfermeiros/as e todos os demais Funcionários/as; nos Serviços Agrários por todos os Funcionários/as; no Registo Civil; nas Finanças; na Câmara Municipal; na Junta de Freguesia; na Segurança Social; na Casa do Povo; nas Escolas; nos Postos de Combustível; nos CTT; nos Bancos; …
Será que sou a única?
Julgo que os princípios do bom atendimento são muito simples de serem entendidos e, quando os dissecamos com maior tento, fica até difícil entender as razões pelas quais as pessoas se afastam deles. Educação, bom humor e prestabilidade. Tudo aquilo que faz de uma criatura um “bom menino” ou uma “boa menina”, e paixão pelo trabalho: há que se ter vontade de fazer aquilo que se faz. Aqueles que vêem o trabalho como um sacrifício ou um tormento acabam prestando um péssimo atendimento ao público que os solicita.
Quem lida com o público, independentemente do sector ou da função, não tem o direito de ser mal-humorado, de mostrar má cara, nem tão pouco de ser mal-educado com nenhuma pessoa, independentemente da sua cor, raça, idade, estudo, preferência sexual, condição social, ou até mesmo da sua conta bancária. Um Agricultor ou uma Funcionária da Cofaco (Empresa de Conserva de Peixe, situada na nossa Madalena) têm o mesmo direito de serem excepcionalmente bem atendidos em qualquer departamento público, ou outro, como um Professor, um Engenheiro ou, quiçá, um Presidente da Câmara.
Mas, será que o são?
Acima de tudo, qualquer funcionário jamais se pode esquecer que numa hora ou noutra serão eles a necessitar de ser atendidos.
E nesse momento, como vão querer ser atendidos?
E que assim seja!
"A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma."
(John Ruskin)

16 June, 2006

Vai um “café” com Bola?...

Há já algum tempo que venho meditando sobre esta extraordinária teoria que imediatamente vos exponho. Convém salientar que isto não é uma ideia qualquer que “sai da boca para fora”; pelo contrário, fundamentei-me numa investigação que eu própria efectuei, testemunhando os excepcionais episódios (idênticos aos das novelas venezuelanas) “ao vivo e a cores”...

É ponto assente que nos cafés se presencia as mais risíveis cenas de uma vida em sociedade. Pois venho falar-vos de um tema muito em voga nos cafés onde não se paga mais nada pelo dito (logicamente que numa loja Versalhes, a probabilidade, se existir de todo, de se escutarem diálogos destes é muito reduzida...): o futebol.

Já algum tempo que fui “obrigada” a deixar de beber café, todavia, isso jamais me impediu de continuar a frequentar alguns Cafés, após o almoço ou o jantar, nem que seja para beber um sumo ou deliciar-me com um apetitoso gelado de chocolate, preferencialmente. Pois bem, caso não saibam, é nessas alturas que o tuga médio/baixo bebe o seu café enquanto se queixa do seu trabalho, na maioria das vezes por idealizar que trabalha muito e recebe pouco. Ora que outro tema de conversa pode surgir entre os clientes senão a bola?

Surpreendentemente, apesar da controvérsia que sempre acompanha o desporto, a maioria dos clientes parece chegar sempre, ou quase sempre, a um entendimento. Logo quando o que se queria era pancadaria com colheres, chávenas e pacotes de açúcar a voar...

No entanto, o processo pelo qual se chega ao referido entendimento diversifica de situação para situação. Assim sendo, apresento-vos os três mais comuns.

1 - Entendimento por concordância. Este é o mais raro, uma vez que é incrivelmente difícil encontrar vários clientes, num determinado estabelecimento, sendo a sua totalidade adeptos do mesmo clube. Apesar de tudo, verifica-se. Partilhando da mesma felicidade ou abatimento, todos falam sempre no mesmo sentido, acabando por criar uma enorme amizade de ocasião.

2 – Entendimento por simpatia. Este desenvolve-se habitualmente no sentido cliente – cliente ou amigo – amigo (ambos moradores na mesma povoação). Dado que uma conversa sobre futebol desponta sempre que um dos intervenientes mencione uma ou outra injustiça, ou um ou outro lance duvidoso e, quando tal acontece, o outro, apesar de secretamente dar bramidos e gritos de alegria pelo sucedido, expressa a sua simpatia para com o primeiro, referindo que “para a próxima vai correr melhor”, ou que “de facto, eu próprio não tenho bem a certeza” (batendo simultaneamente três vezes, com a mão fechada, num qualquer objecto de madeira....).

3 – Entendimento por não dar resposta. Pessoalmente este é o meu favorito. Tive azo de presenciar umas quantas situações deste calibre e corroboro que servem, posteriormente, de combustível para uns bons minutos de gargalhadas... Exemplificando: cliente entra no café e, inevitavelmente, levanta a pestana para se inteirar de quem está presente no dito local. E, após uns segundos, para afiar bem a ponta da língua, claro, lança a bomba…
“Com que então o Boavista agora deu para encher o papo... é para compensar as exibições de tanga que tem feito… aquele treinador não tem visão nenhuma… e o adjunto ainda é pior… olha que não fazem substituição nenhuma de jeito… sim, mas do mal o menos… não estamos em primeiro, mas estamos em segundo... que é que se pode fazer?” E assim continua a infamante palestra de um eloquente adepto, quiçá ex-jogador do clube, indignado com os jogos do seu clube de alma e coração, chegando curiosamente a uma percepção final e, indo embora, pouco depois, feliz por ter encontrado uma plateia atenciosa que entendeu as suas preocupações futebolísticas, ou pelo menos achou melhor não dar resposta.

A título de conclusão, receio que estas teorias só se verificam cá, na nossa bonita e apaziguadora localidade. Se por acaso um dos intervenientes tem a infeliz ideia de discordar da opinião do “levanta a pestana”, aí não há entendimento exequível, seguindo-se um chavascal de obscenidades e ofensas cambiadas...
Enfim, é o futebol. Move multidões, põe-as à pancada, incita à leitura (veja-se a saída de jornais como A Bola, O Jogo ou o Record), promove matança de vacas para comes e bebes tradicionais como as sopas do Espírito Santo para os adeptos do Benfica, dá dinheiro a toda a gente (até aos árbitros) e, mais que tudo, serve de conversa de café....

12 June, 2006

Esperança


"A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora."

(Georges Bernanos)

06 June, 2006

Candelária B Conquista o Regional


O Candelária B venceu o União Micaelense B e ergueu o troféu que lhe dá acesso à III Divisão Nacional de Hóquei.

Após três dias de competição para encontrar o Campeão Regional de Hóquei em Patins, no transacto dia 5, pelas 11 horas, jogou-se no pavilhão da Escola Cardeal Costa Nunes a grande final do campeonato que opunha as equipas do Candelária B e do União Micaelense B.
Para o União Micaelense bastava o empate para se sagrar campeão, mas ao Candelária só interessava a vitória. Assim sendo o Candelária lutou até ao fim por este objectivo e conseguiu-o nos instantes finais da partida.
A equipa picarota venceu o União Micaelense B por quatro bolas a três, ganhando assim a passagem para a III Divisão Nacional de Hóquei em Patins.

Classificação
1º Candelária B........................... 9 pontos
2º União Micaelense B................... 9 pontos
3º Lusitânia................................ 0 pontos

In. http://www.picoazores.com/
Fonte: http://www.radiopico.com/

01 June, 2006

Deixai vir a Mim as criancinhas!

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Criança. Um relatório da agência do Vaticano revela que há 860 milhões de crianças a sofrer em todo o Mundo. A fome, a SIDA e o tráfico humano são as principais ameaças.
Creio que todos nós deveríamos tentar proporcionar um mundo melhor para as crianças, um mundo que fosse constituído, sobretudo, nos princípios da democracia, da igualdade, da não discriminação, da paz e da justiça social. Um mundo em que as crianças não fossem consequentemente abandonadas.
Em verdade vos digo que, como mãe, não compreendo como é possível a uma mãe e a um pai abandonar o seu próprio filho. Todavia, actualmente esse acto é praticado na nossa ilha como se fosse o “pão-nosso de cada dia”. Os pais que têm filhos indesejados ou não querem usufruir mais dessa responsabilidade, simplesmente largam-nos à porta do Centro de Acolhimento da freguesia da Candelária (Obra Social Madre Maria Clara).
Como é possível?
Como é exequível que haja criaturas neste universo capazes de tamanha barbaridade e crueldade, capazes de maltratar, abandonar e desprezar uma criança que carregaram dentro de si durante dilatados e extensos meses.
Não sei. Sinceramente não sei.
Caríssimos leitores, as crianças são o nosso futuro, pois sem elas um dia o digno planeta Terra deixará de existir e a vida, tal a qual a conhecemos, desaparecerá.
Não será esta uma boa causa para protegermos os nossos meninos e meninas e para jamais deixarmos que alguma terrível desgraça lhes suceda.
São imensas as pessoas que se auto proclamam católicas, porém, são pouquíssimas aquelas que executam os ensinamentos Bíblicos, uma vez que a Bíblia (símbolo da Religião Católica) defende que Jesus, como Mestre da Verdade Divina, manifestou um afecto extraordinário pelas crianças, dizendo aos Apóstolos “deixai vir a Mim as criancinhas, não as afasteis, pois a elas pertence o Reino de Deus”. (Mc 10, 14)
Finalizando, tenho que vos deixar com um dos meus mais profundos e inquietantes pensamentos. É extraordinário que o Vaticano refira que existem milhões de crianças a sofrer com fome, …, uma vez que a avantajada riqueza que o clero possui resolveria esse enorme infortúnio do mundo contemporâneo.
E que assim seja!

31 May, 2006

Dia Mundial da Criança


Tributo à Criança

Criança, materialização da inocência
Que, de nós, deseja apenas
Amor, carinho e paciência.

Criança, encarnação da alegria
Que afugenta a tristeza
Fazendo a noite virar dia.

Criança, flor ainda em botão
Que, quando bem cuidada,
Boa se torna, de coração.

Criança, cuja educação nos é confiada,
Através de bons exemplos,
Raramente faz coisa errada.

Criança, pessoa adulta de amanhã
Que, quando bem preparada,
Cresce tranquila, sã...

Criança, sublime milagre de Deus
Que, se respeitada e amada,
Também ama e respeita os seus.

(Wagner Tadeu Matioli)

27 May, 2006

Vida


"Todos tentam realizar algo grandioso, sem reparar que a vida se compõe de coisas pequenas."

(Frank Clark)

22 May, 2006

Fax!!!

O Prazer da Culinária


Lagosta com Espumante

Ingredientes:
1 kg de caudas de lagosta;
60 gr de manteiga;
sal;
pimenta;
pimenta-de-caiena;
1 cálice de aguardente velha;
1 cálice de aguardente bagaceira;
100 gr de cebolas;
100 gr de cenouras;
1 alho francês;
1 pé de aipo;
4 dl de espumante seco;
2 gemas;
1 dl de natas.

Confecção:
Corte a lagosta em rodelas pelos anéis.
Aqueça metade da manteiga numa frigideira e salteie nela os bocados de lagosta. Tempere com sal e pimenta e uma ponta de pimenta-de-caiena. Regue com as aguardentes misturadas e puxe-lhes fogo.
Retire as carapaças.
À parte, faça o seguinte estufado: corte as cebolas, as cenouras e o alho francês em bocados e leve a estufar sobre lume brando com a restante manteiga, o aipo, sal e pimenta.
Quando tudo estiver bem macio, passe pelo passador de legumes.
Leve o puré ao lume, introduza a lagosta salteada e queimada com aguardente e regue tudo com o espumante.
Deixe ferver suavemente durante 20 minutos.
Passado este tempo, retire os bocados de lagosta e deixe apurar o molho. Conserve a lagosta em sítio quente.
Na altura de servir introduza novamente a lagosta no molho e rectifique os temperos.
Deixe levantar fervura.
Adicione por fim as gemas desfeitas nas natas.
Retire imediatamente do lume e sirva acompanhado com arroz à crioula.
*Se preparar este prato com lagosta congelada, deixe-a descongelar à temperatura ambiente.
Se a lagosta tiver cabeça deve contar com 1,5 kg de lagosta para 4 pessoas para este tipo de receita.

Laborare est orare

"Uma tradição é sempre um progresso que venceu."
(Maurice Druon)

17 May, 2006

Ouvimos Senhor!


Numa carta aberta a todos os bispos do mundo, datada de 14 de Outubro de 1994, os membros da Congregação para a Doutrina da Fé verbalizaram que "a crença errónea que tem uma pessoa divorciada e novamente casada, de poder receber a Eucaristia normalmente, presume que a consciência pessoal é levada em conta na análise final, de que, baseado nas suas próprias convicções existiu ou não existiu um matrimónio anterior e o valor de uma nova união. Esta posição é inaceitável. O matrimónio é a imagem da relação de Cristo com a Igreja, é um factor importantíssimo na vida da sociedade civil e é, basicamente, uma realidade pública.”
Com este documento, a Congregação para a Doutrina da Fé atestou a contínua teologia e disciplina da Igreja Católica de que todos aqueles que se divorciam e voltam a casar, sem um Decreto de Nulidade para o primeiro matrimónio (indiferentemente se foi efectuado dentro ou fora da Igreja), se encontram numa malfadada relação de adultério, não lhes possibilitando a íntegra e virtuosa penitência para, evidentemente, arrecadarem a indulgência pelos seus pecados (o pecado de procurarem e encontrarem a felicidade ao lado de outra pessoa, que não é aquela a quem, outrora, prometeram amor eterno) e, por sua vez, receberem a Santa Comunhão.
O Papa João Paulo II, recentemente falecido, menciona no documento “A Reconciliação e a Eucaristia” que a Religião Católica almeja que todas as criaturas cooperem na vida da Igreja, pelo menos até onde lhes for possível, participando na Missa Dominical, no culto Eucarístico, …, uma vez que estas actividades serão de colossal auxílio espiritual para elas. Todavia, só podem comungar acaso, evitado o escândalo e recebida a absolvição sacramental, se comprometam a viver em absoluta continência.
Em verdade vos digo que há alguns dias, e quando me encontrava a devorar um livro sobre a História da Religião Católica, li que o Papa João Paulo II, aquando do seu discurso, durante o encerramento do Sínodo celebrado em Roma, em Outubro de 1980, disse que “a Igreja deveria manter a sua posição em não admitir à comunhão eucarística os divorciados que voltam a casar”. Devo referir que esta posição da Igreja Católica ainda hoje se mantém, como julgo ser do conhecimento de todos vós.
Estimados leitores, todos os dias lutamos contra variadíssimas formas de discriminação, mas não será esta uma forma?
Considero que sim, e acrescento que conheço numerosos seres que, e desgraçadamente para eles, claro, são divorciados, contudo isso não deveria ser impeditivo para que pudessem comungar, ou até mesmo apadrinharem uma determinada criança, até porque muitos deles são crentes e praticantes. Porém, não o podem fazer, e eu que não sou praticante, e por vezes nem crente sou, posso, bastando para isso assistir a umas missas, nem que seja só de corpo presente.
Não estará a Igreja Católica a ser injusta com os seus filhos?
E que assim seja!

13 May, 2006

Arte Poética


"Dentro de cada imagem há outra imagem
e a terra treme ainda que não trema
e até mesmo o silêncio é linguagem
e as pedras são pedras do poema.

No ar que se respira há um perfume
e a terra é como página já escrita
onde a palavra pulsa e me reúne
para dizer a Ilha nunca dita.

Sabe a primeira vez e a nunca visto
eu olho e não resisto à tentação
há música no ar e o Pico é isto
um poema que está feito e eu passo à mão."

Manuel Alegre, In. Pico

Abuso sexual de menores em São Mateus

"O Tribunal Judicial de São Roque condenou na passada quarta-feira seis dos sete arguidos no caso de abuso sexual de menores da freguesia de São Mateus a penas de prisão que variam entre os 18 meses e os seis anos.
Dos sete arguidos, com idades compreendidas entre os 18 e os 78 anos, apenas um foi absolvido dos crimes de que era acusado. Os seis condenados foram, assim, considerados culpados de abuso sexual de duas menores de 11 e 12 anos. Segundo o Tribunal, entre o Verão de 2004 e finais de Abril de 2005, as duas menores do sexo feminino receberam quantias monetárias entre os 5 e os 100 euros como pagamento pelas práticas sexuais realizadas.
O Tribunal decidiu ainda suspender por um período de três anos as penas de três arguidos e durante dois anos a do menor de 21 anos.
No final da leitura do acórdão deste caso que foi despoletado a 10 de Maio de 2005, na sequência de uma denúncia da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Madalena, o juiz sublinou que os arguidos deviam sentir vergonha pelos seus actos e que a comunidade local também devia sentir-se envergonhada por ter demorado a denunciar a situação."
In. Jornal Ilha Maior de 12 de Maio de 2006

10 May, 2006

Autopsicografia


"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração."

Fernando Pessoa

09 May, 2006

Bater ou não nas crianças

O problema é grave, mas invisível. O hábito de bater nas crianças para “educá-las” faz parte da tradição familiar portuguesa. Vem lá de trás, é uma herança dos nossos antepassados, introduzida pela mão pesada dos jesuítas.
Durante inúmeros anos, foram imensas as criaturas que adoptaram a dor e o sofrimento como principais instrumentos de educação das suas crianças e jovens. Dito assim, hoje, parece exagero, todavia, os nossos filhos têm tudo o que necessitam, o que tem demais em levarem umas palmadas, de vez em quando, idêntico ao que ocorreu com a maioria de nós durante a nossa juventude?
É vero que há algum tempo aquém, as crianças, jovens, mulheres e idosos eram subjugados a castigos impetuosos pelo chefe da família, provedor e soberano absoluto dos seus domínios, incluindo a vida, a liberdade e o decoro das pessoas.
Actualmente, são poucos os que discutem o direito de bater nas crianças, aparentemente legítimo, conferido a pais e responsáveis, tais como os avós, tios, padrastos, madrastas, irmãos, padrinhos, professores e educadores.
O facto é que, presentemente, qualquer adulto incumbido de tomar conta de uma criança ganha automaticamente o apanágio de admoestá-la fisicamente.
Em verdade vos digo que muitos dos nossos antepassados suportaram atrocidades e tiranias durante a sua infância e transmitiram o vírus da violência familiar de geração em geração. Quantas crianças se transformaram em adultos áridos e instáveis, agressores de mulheres, pais e mães impiedosos e intransigentes, maridos criminosos, dementes sexuais e pedófilos? Em todos os casos, adultos desgraçadamente infelizes.
O sistema patriarcal da nossa ilha solidificou o poder pleno do homem e a relação dissemelhante nas relações familiares. Os castigos físicos, constantes e cruéis, aplicados indiscriminadamente em crianças, meninas e mulheres, eram tolerados e tratados como “assunto de família”. E assim permaneceu, mesmo quando a sociedade e a legislação repudiaram, uma a uma, as relações sociais violentas, a dominação de um homem sobre outro e o desrespeito à dignidade.
É deveras surpreendente que os castigos físicos ainda façam parte da vida de tantas crianças — as maiores vítimas estão na faixa etária dos seis anos — apesar dos progressos das ciências que estudam e analisam a conduta e o inconsciente do homem.
É assombroso e lastimável que, em pleno século XXI, a sociedade admita a violência física, desde que sem “exageros”, já que isso significa deixar excessivas crianças à mercê das aspirações, carências e psicopatias dos adultos e das suas paixões, fragilidades e quimeras. Das sovas programadas com determinados objectos, até pontapés, empurrões e socos ocasionais, tudo serve para alguns adultos aliviarem a dor, a revolta e a humilhação que carregam no mais profundo da sua alma.
Este tema — bater ou não nas crianças — é ordinariamente argumentado com decoro e superficialidade, como assunto de pouca ou nenhuma importância no contexto dos problemas relacionados com as crianças, e somente quando mostra a sua face carrasca, apavorante, impensável… é que ganha contornos corpóreos, e nesses casos (alguns recentemente expostos à comunidade pela comunicação social) a violência extrema de alguns pais e mães parece-nos longínqua da palmadinha afectuosa, e têm a mesma origem: a certeza de que a dor física corrige as crianças.
Será que a prerrogativa que têm os pais de dar um bom açoite “quando não obedecem com palavras” é a mesma que levam algumas mães a calcinarem as mãos dos seus filhos, por faltas mais graves: mexer no fogão ou na máquina de lavar roupa, abrir o pacote de bolachas, riscar a parede do quarto com um determinado marcador?
Acredito, sinceramente, que todo e qualquer Ser Humano, deste nosso planeta Terra, tem o singelo direito a viver os sumptuosos anos da sua infância sem dor e sem medo.
Tenho dito!

“A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora”.
Benedetto Croce, in. “La Storia come Pensiero e come Azione"

04 May, 2006

Eu sei quem tu és...

Ser ou não ser é muito mais do que uma questão retórica.
Na peça imortal de Shakespeare, Hamlet - o protagonista - questiona-se sobre o que será mais nobre, se suportar as amarguras da vida, ou reagir contra elas e dar-lhes um fim.
No fundo, ele interroga-se acerca da condição humana nesta vida, que posição devemos tomar e de que forma devemos viver.
Quando surgem as contrariedades, o que diferencia as pessoas é precisamente a forma como reagem, e por isso mesmo dou um extremo valor a esta questão.
Em verdade vos digo que há uns dias fui obrigada a ler um comentário impróprio de alguém que se dizia conhecedor da minha pessoa e dos meus imperfeitos valores morais e comportamentais. Devo dizer a esse comentador (julgo saber de quem se trata) que nunca abonei a minha pessoa como adágio para o que quer que fosse.
Caríssimos leitores, já mencionei sortidas vezes, em outros textos, que sou uma pessoa como outra qualquer, e como tal também tenho incalculáveis defeitos. Possivelmente e por ter telhados de vidro, jamais atiro a primeira pedra pois esta pode-me cair em cima.
Não edifiquei este blog para dizer desgraças do que quer que fosse ou de quem quer que fosse, mas sim para apregoar a nossa bela povoação aquém e além fronteiras. Também não construí este blog para me extremar a nenhuma criatura, mas sim para demonstrar que, e embora tenha somente o 12.º ano, sei redigir. Sei escrever porque tive brilhantes e excepcionais pedagogos, que ao longo da minha vida académica muito me ensinaram, tais como o Professor Manuel Tomás, que durante três anos foi meu professor da disciplina de Língua e Cultura Portuguesa.
Hoje as perguntas que me faço são, e após ter lido o comentário, “será que estes artigos são mesmo desta moça?”, será que não posso querer ser alguém? Será que não posso querer marcar a diferença? Será que não posso querer divulgar a minha freguesia? Será que não posso querer homenagear as pessoas que lá vivem? Será que não posso querer dizer o bem em vez do mal? Será que não posso querer ver o que há de bom nas pessoas em vez de ver o que há de mau? Será…?
Queridos amigos, tenho em mim todos os sonhos do mundo, e eu que a maioria das vezes não tenho nenhuma certeza, hoje tenho a certeza que serei o que sempre quis ser e como quis ser.
E que assim seja!

01 May, 2006

Congelamento

Congelamento da progressão de carreira na Função Pública